ONU admite não conhecer estágio de programa nuclear iraniano

Segundo diretor-geral da AIEA, tentativas de ocultar atividades no passado impedem garantias no presente

Efe,

22 de novembro de 2007 | 14h17

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou nesta quinta-feira, 22, que o costume iraniano de esconder suas atividades nucleares impede que a ONU tenha garantias sobre o atual estágio do programa nuclear do país.  Ameaças colocam segurança do Oriente Médio em risco, diz Irã A declaração foi feita pelo diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, durante a reunião periódica do órgão em Viena. Segundo ElBaradei, o Irã deve ser mais "ativo" ao fornecer informações sobre seu programa nuclear e acelerar o ritmo de cooperação com os inspetores internacionais. ElBaradei também afirmou que os prazos do acordo assinado com o Irã sobre o esclarecimento de certos assuntos pendentes estão sendo "cumpridos", mas ressaltou a necessidade da "suspensão" do seu programa de enriquecimento de urânio, como é exigido pelo Conselho de Segurança da ONU. Está em vigor desde agosto um acordo entre a AIEA e a República Islâmica para esclarecer as atividades nucleares do país, que estão sob suspeição internacional desde a descoberta de que o Irã ocultou parte de suas pesquisas atômicas durante 18 anos. Potências ocidentais lideradas pelos Estados Unidos afirmam que o objetivo do Irã com o programa é construir armas de destruição em massa. Teerã rejeita a acusação, e defende-se argumentando que suas atividades buscam permitir com que o país torne-se auto-sustentável na produção de energia nuclear. De acordo com ElBaradei, a cooperação para conhecer o alcance e a natureza do programa atômico iraniano está "progredindo bem" e os prazos estabelecidos pelo acordo entre as partes "estão avançando segundo o calendário" estipulado.  No entanto, "o conhecimento de aspectos específicos do atual programa nuclear iraniano está diminuindo" desde 2006, continuou o diretor-geral da AIEA. Por isso, os inspetores "precisam ter a máxima clareza não só sobre o passado, mas igual ou mais importante, sobre o presente", acrescentou. Enriquecimento de urânio Em seu último relatório técnico sobre o Irã, a AIEA confirmou avanços no esclarecimento sobre o passado do programa, mas criticou a falta de cooperação ativa, e ratificou que o país já dispõe de 3 mil centrífugas para enriquecer urânio, três vezes mais que no começo de agosto.  As centrífugas estão funcionando abaixo da sua capacidade, mas esse número de máquinas tem a capacidade de produzir urânio enriquecido em nível industrial, com a possibilidade de purificar material suficiente para uma bomba nuclear em 18 meses caso passe a operar plenamente, segundo o relatório da AIEA.  Estados Unidos, França e Reino Unido tentam endurecer as sanções econômicas contra o Irã por sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio. China e Rússia, que contam com o direito de veto no Conselho de Segurança, são os mais reticentes a endurecer as sanções e defendem o uso do diálogo para solucionar o conflito.  Dependendo do seu nível de enriquecimento, o urânio pode ser utilizado para gerar eletricidade em uma usina nuclear ou para desenvolver uma arma atômica. Embaixador iraniano O embaixador do Irã perante a AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse que o trabalho do Conselho de Segurança deve terminar o mais rápido possível, e acrescentou que "a política de recompensas não funciona e a linguagem de ameaças sempre foi contraproducente". Soltanieh afirmou que o Irã seguirá cooperando com a AIEA para cumprir "o resto dos assuntos" do plano de trabalho estipulado.  O negociador iraniano em matéria nuclear, Sayed Jalili, disse que está "otimista" sobre o resultado de sua próxima reunião com o chefe da diplomacia da União Européia (UE), Javier Solana, prevista para o dia 30 em Londres. O funcionário iraniano reiterou que seu país aceitaria qualquer idéia para resolver a polêmica, desde que "respeite nossos direitos nucleares", segundo a agência de notícias iraniana Irna. Jalili se referiu às propostas de criar um consórcio internacional para enriquecer urânio em um país neutro, o que várias autoridades iranianas asseguraram que aceitariam, contanto que o Irã continue enriquecendo urânio no interior do país. Os 35 países-membros da AIEA deverão discutir o dossiê iraniano provavelmente a partir da tarde desta quinta-feira, e espera-se que ocorra uma troca de acusações entre as partes envolvidas no caso.

Tudo o que sabemos sobre:
questão nucelarIrã

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.