AP - 23/01/09
AP - 23/01/09

ONU condena Israel e Hamas por crimes de guerra em Gaza

Ofensiva contra a Faixa de Gaza no ano passado causou a morte de 1,4 mil palestinos e dez israelenses

Efe,

16 de outubro de 2009 | 09h57

O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou nesta sexta-feira, 16, um relatório que condena Israel e o movimento islâmico palestino Hamas por crimes de guerra durante a ofensiva israelense iniciada no ano passado contra a Faixa de Gaza.

 

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Dos 47 países que formam o Conselho, 25 apoiaram a resolução, seis a rejeitaram, 11 se abstiveram e 5 não votaram. O Brasil foi um dos países, entre outros latino-americanos, que apoiaram a resolução.

 

Só os países islâmicos, africanos e não-alinhados deram um "sim" unânime ao texto, que contou também com o apoio de alguns países latino-americanos. Os europeus votaram divididos.

 

Em 2 de outubro, o Conselho decidiu adiar a resolução sobre o relatório Goldstone - que acusa o Exército israelense e o Hamas de cometer crimes de guerra durante a citada ofensiva contra Gaza - até a próxima sessão de março, a pedido dos envolvidos na mesma.

 

No entanto, devido à pressão interna sofrida pelo governo palestino para que a resolução fosse debatida e votada, o Conselho convocou uma sessão especial iniciada na quinta-feira, 15.

 

A resolução condena Israel por não colaborar com a missão de investigação e pede a aprovação das recomendações contidas no relatório, que incluem que o Conselho de Segurança da ONU leve ao Tribunal Penal Internacional o caso da ofensiva de Gaza, que causou a morte de 1,4 mil palestinos e dez israelenses, se Israel e Hamas não fizerem averiguações sobre os fatos.

 

Além disso, a resolução solicita que todos os órgãos das Nações Unidas, incluindo a Assembleia Geral, o Conselho de Segurança, assim como o secretário-geral, Ban Ki-moon, e a alta comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, zelem por que as recomendações sejam cumpridas.

 

A Organização de Países Islâmicos, patrocinadora do texto, incluiu nesta sexta-feira uma modificação para que a resolução fosse mais ampla e buscasse que todas as violações de direitos humanos, e não só as cometidas por Israel, sejam perseguidas e julgadas, em um movimento entendido como demonstração de flexibilidade.

 

Ao defender a resolução, o embaixador palestino, Ibrahim Khreishe, disse que seu país "não condena Israel nem o Hamas, mas defende o direito internacional humanitário e busca que todos os assassinos, sejam do lugar onde forem, não fiquem fora da Justiça nem impunes".

 

Israel se limitou a dizer que a resolução "era desequilibrada, porque não há uma só menção ao Hamas".

 

Essa posição foi apoiada pelos Estados Unidos, cujo representante, Douglas M. Griffiths, se mostrou "decepcionado com o resultado e pelo fato de terem sido tomadas decisões às pressas".

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