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ONU convida Irã para convenção sobre Síria e rebeldes ameaçam boicote

EUA prometem respaldar participação persa em Genebra II desde que o país aceite transição síria

O Estado de S. Paulo,

20 de janeiro de 2014 | 08h52

A oposição política na Síria disse nesta segunda-feira, que se retirará das negociações internacionais sobre a paz no país marcadas para esta semana a não ser que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, retire o convite feito ao Irã, principal apoiador do presidente sírio, Bashar al-Assad.

Os Estados Unidos, no entanto, disseram que podem apoiar a participação do Irã no encontro, desde que o país declare explicitamente seu apoio a um plano de junho de 2012 para uma transição política na Síria que, segundo os EUA, significa que Assad terá de deixar o poder.

"É algo que o Irã nunca fez publicamente e é algo que há muito deixamos claro que é um requisito", disse a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Jen Psaki, em um comunicado. "Se o Irã não aceitar completa e publicamente o comunicado de Genebra, o convite deve ser revogado."

Ban disse mais cedo que convidou o Irã para participar do primeiro dia de negociação em 22 de janeiro em Montreux, na Suíça, e que Teerã prometeu desempenhar "um papel positivo e construtivo" se for chamado a participar.

Menos de 48 horas depois de a principal oposição política da Síria no exílio, a Coalizão Nacional, concordar em participar das negociações, que estão sendo chamadas de "Genebra 2", o mesmo grupo ameaçou se retirar das conversas.

"A Coalizão Síria anuncia que vai retirar sua participação em Genebra 2 a não ser que Ban Ki-moon retire o convite ao Irã", disse o grupo em mensagem no Twitter, citando o porta-voz da Coalizão Nacional Louay Safi.

Outro membro importante da Coalizão, Anas al-Abdah, disse à emissora de TV Al Jazeera por telefone que o grupo ficou "surpreso" com o convite ao Irã. "É ilógico e não podemos, de forma alguma, aceitar isso."

Cerca de 130 mil pessoas foram mortas e um quarto dos sírios tiveram de deixar suas casas na guerra civil do país, que começou com protestos pacíficos contra os 40 anos de governo da família Assad e descambou para um conflito sectário, com os lados opostos do conflito armados e financiados por Estados árabes sunitas e pelo xiita Irã. / REUTERS

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