ONU denuncia restrições impostas por Israel a palestinos em Gaza

Órgão diz que Exército impede acesso da população a zonas de cultivo e áreas de pesca

Efe

19 de agosto de 2010 | 09h28

 

JERUSALÉM - Nos últimos dez anos, as forças militares de Israel aumentaram as restrições para o acesso de palestinos às áreas rurais da Faixa de Gaza, assim como para zonas de pescaria no litoral do território palestino, revela nesta quinta-feira, 19, a Organização das Nações Unidas (ONU) por meio de um relatório. As informações são do jornal Ha'aretz.

 

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O braço da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) reuniu as informações do relatório para entender o motivo das restrições e seu efeito sobre a segurança, o acesso e as condições de vida dos palestinos. Os documentos são baseados em mais de cem entrevistas e análises de dados reunidos de outras fontes.

 

Segundo o relatório, desde 208, o Exército de Israel tem proibido o acesso dos palestinos a no máximo 1,5 quilômetro além da fronteira de Gaza com o território israelense e só permite aos habitantes da área navegar até 4,5 quilômetros além da costa.

 

No total, aproximadamente 17% do território da Faixa de Gaza tem o acesso de palestinos controlado pelos israelenses. No mar, os pescadores são barrados de acessar cerca de 85% do território naval previsto pelos acordos de Oslo. Segundo o relatório, essas restrições afetam 178 mil palestinos.

 

De acordo com a OCHA, Israel encoraja seus militares a disparar contra os palestinos que entram em áreas restritas. Embora na maioria das vezes são realizados disparos de aviso, 22 pessoas morreram e 146 ficaram feridas em incidentes do tipo desde o fim de janeiro de 2009. O relatório reforça que tais métodos violam a lei internacional e que os palestinos de Gaza nunca foram informados da natureza das restrições impostas por Israel.

 

Ainda de acordo com a ONU, Israel demoliu casas e destruiu plantações de palestinos para manter as áreas restritas em segurança. Os agricultores de Gaza tentaram buscar meios alternativos para o cultivo, mas os meios escassos da região e os altos custos desses métodos impedem sua aplicação.

 

Tais restrições já geraram mais de US$ 300 milhões em perdas para os agricultores de Gaza. Além disso, as medias causam a piora na qualidade dos alimentos consumidos pela população local, mudanças na dieta, diminuição da presença escolar e redução da idade média de casamento de jovens palestinas.

 

O relatório ainda diz que a política israelense afeta a educação. Como sete escolas estão em áreas restritas, a qualidade da educação e a segurança de alunos e professores é ameaçada.

 

A ONU pediu que Israel retire as restrições imediatamente e cumpra suas obrigações internacionais. A organização destacou, principalmente, o pedido para que Israel não dispare contra palestinos que se aproximam das áreas restritas e pare de destruir propriedades nessas zonas.

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