ONU deve votar sanções ao Irã sábado; país reclama ilegalidade

O chanceler iraniano, ManouchehrMottaki, escreveu ao Conselho de Segurança da Organização dasNações Unidas (ONU) argumentando que as resoluções que impõemsanções por causa do programa nuclear do seu país carecem debase legal e afetam a credibilidade do Conselho. O Conselho deve votar no sábado uma terceira rodada desanções ao Irã, disse nesta quinta-feira o embaixador dosEstados Unidos na ONU, Zalmay Khalilzad. Seu colega britânico,John Sawers, afirmou que "provavelmente" será no sábado. O Ocidente acusa o Irã de buscar armas nucleares e deignorar sanções anteriores do Conselho que exigiam a suspensãodo enriquecimento de urânio. Teerã afirma que seu programanuclear é exclusivamente pacífico e que enriquecer materialatômico é um direito inalienável do país, pois pode gerarcombustível para usinas nucleares -- embora também forneça amatéria-prima para bombas atômicas, dependendo do grau depureza do material. Na sua carta, Mottaki disse que o recente relatório da AIEA(agência nuclear da ONU) ao Conselho, citando progressos em suainvestigação sobre o passado do programa nuclear iraniano,prova que a ONU não tinha o direito de punir Teerã por manter oenriquecimento. "Todas as ditas justificativas e os distorcidos fundamentospara a ação do Conselho de Segurança da ONU desapareceram, eisso mostra que as resoluções carecem de qualquer base legal ede justificativas técnicas", escreveu Mottaki. A carta, endereçada ao embaixador panamenho na ONU, RicardoAlberto Arias, presidente do Conselho neste mês, estava datadade quarta-feira e foi apresentada a jornalistas na quinta. "Naturalmente a continuação desta tendência [de sanções]deveria afetar a credibilidade do Conselho de Segurança eenfraquecer a integridade e a posição da AIEA", escreveu ochanceler. O relatório da AIEA, na verdade, foi ambíguo, dizendo que oIrã não respondeu adequadamente às acusações ocidentais sobreatividades ligadas ao desenvolvimento de armas, mas esclareceuquestões relativas a outras atividades nucleares do passado. Os países ocidentais dizem que o relatório da AIEA nãoinocenta o Irã, como argumenta Mottaki, e ainda desperta sériaspreocupações. Os cinco membros permanentes do Conselho -- Estados Unidos,Grã-Bretanha, França, China e Rússia -, mais a Alemanha,concordaram em 22 de janeiro, em Berlim, com um esboço deresolução que estabelecia a terceira rodada de sanções ao Irã.Washington esperava votar o texto já na sexta-feira. Além dos cinco membros permanentes (que têm poder de veto),outros seis apóiam a resolução. Mas o Ocidente quer uma votaçãopor unanimidade, e por isso ainda espera convencer osrecalcitrantes África do Sul, Indonésia, Vietnã e Líbia. (Reportagem adicional de Susan Cornwell em Washington)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.