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ONU exige cessar-fogo, mas Israel mantém ataques em Gaza

Conselho de Segurança aprova resolução; chanceler israelense diz que país exerce direito de se defender

Agências internacionais,

09 de janeiro de 2009 | 07h19

 A aprovação da resolução do Conselho de Segurança da ONU por um imediato cessar-fogo na Faixa de Gaza não diminuiu a intensidade da ofensiva israelense no território, nem paralisou os ataques de foguetes do Hamas sobre Israel. De acordo com fontes militares e testemunhas, Israel realizou pesados bombardeios em Gaza e novos disparos de foguetes foram feitos pelo Hamas nas horas seguintes à aprovação do texto da resolução pelo Conselho, na madrugada desta sexta-feira, 9.   Veja também: Conselho de Segurança pede cessar-fogo imediato em Gaza É 'inaceitável' não poder distribuir ajuda em Gaza, diz ONU Brasil despacha ajuda; Amorim visitará Oriente Médio  'Crianças crescem em bunkers', diz brasileiro em Israel Embaixador brasileiro no Egito fala da negociação entre Hamas e Egito  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques        A resolução, esboçada pelo Reino Unido e aprovada por 14 dos 15 membros do órgão - os EUA se abstiveram da votação -, pede, além do cessar-fogo, o livre acesso de agências de auxílio humanitário a Gaza e que os países-membros intensifiquem os esforços para fazer com que se alcance uma trégua duradoura. Este foi o primeiro posicionamento oficial do Conselho de Segurança da ONU em relação ao conflito desde o início da ofensiva israelense, em 27 de dezembro. Após a aprovação da resolução, a ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, disse que seu país continuará a agir pensando na segurança de seus cidadãos.   Enquanto as bombas continuavam a explodir pelo 14º dia, ministros israelenses do primeiro escalão se reuniam para decidir qual será o próximo passo. A ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni, deu uma indicação de que as armas israelenses não devem silenciar. "Israel agiu, agirá e seguirá agindo somente de acordo com suas próprias considerações, com as necessidades de segurança de seus cidadãos e com seu direito de se defender", afirmou ela em comunicado.   Segundo a agência AFP, Ayman Taha, alto responsável do Hamas, afirmou que a resolução da ONU não afeta o grupo, mas não rejeitou explicitamente a proposta. "Ainda que sejamos os principais atores da Faixa de Gaza, ninguém nos consultou sobre a resolução e não levaram em conta nossa visão nem os interesses do nosso povo".   Combates   Os caças israelenses seguiram bombardeando os arredores da Cidade de Gaza, segundo moradores. Em outras regiões, médicos palestinos disseram que os tanques dispararam contra uma casa em Beit Lahiya, no norte, matando pelo menos sete membros de uma mesma família. A força aérea israelense atacou pelo menos 50 alvos ao longo do território palestinos, entre eles plataformas de lançamento de foguetes e lugares onde eram fabricados os projéteis, afirmou um porta-voz militar. O Exército israelenses disse que seis foguetes foram disparados contra o sul de Israel, ferindo uma pessoa. De acordo com os militares, quatro foguetes Grad atingiram Beersheba, a cerca de 40 quilômetros de Gaza, bem como o porto de Ashdod.   O Exército israelense matou no domingo passado pelo menos 24 civis palestinos que seus soldados tinham concentrado no dia anterior em uma casa na Faixa de Gaza, segundo um documento do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, em inglês) da ONU. O relato do massacre, que teria ocorrido no dia 4 de janeiro, foi feito às Nações Unidas por testemunhas.   "De acordo com várias testemunhas, em 4 de janeiro soldados israelenses a pé retiraram aproximadamente 110 palestinos para dentro de uma casa unirresidencial em Zeitun (metade das quais eram crianças), alertando-as para ficarem a portas fechadas", disse a ONU. "Vinte e quatro horas depois, as forças israelenses bombardearam a casa repetidamente, matando cerca de 30."   O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) considerou o massacre "um dos mais graves incidentes desde o início das operações" pelas forças israelenses em Gaza, no dia 27 de dezembro. "Os que sobreviveram e conseguiram caminhar por dois quilômetros até a estrada Salah Ed Din foram transportados para o hospital em veículos civis", informou o órgão, num relatório sobre a situação na Faixa de Gaza. "Três crianças, a mais jovem delas com apenas cinco meses de idade, morreram antes de chegar ao hospital."   Um porta-voz militar de Israel disse que a denúncia está sendo investigada, bem como outras queixas de que civis foram alvejados e de que as tropas se recusaram a ajudar civis feridos.   Um comboio da ONU e outro do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) foram atacados na quinta-feira. Pelo menos um funcionário das Nações Unidas morreu, levando a organização a suspender suas atividades humanitárias "até que as autoridades israelenses possam dar garantias de segurança". O CICV, por seu lado, anunciou que prosseguiria com seus trabalhos.O incidente envolvendo a ONU ocorre dois dias depois de tanques do Exército de Israel terem aberto fogo contra duas escolas administradas pelas Nações Unidas causando 43 mortes, incluindo a de 4 funcionários da organização.   Pelo menos 1 milhão de palestinos - ou dois terços da população da Faixa de Gaza - está sem eletricidade, 750 mil não têm água potável e os hospitais funcionam apenas com geradores de emergência. "Dispomos de reservas alimentares para alguns dias, mas não para semanas", acrescentou Gunnes.   Cessar-fogo   Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução fazendo um apelo por um "cessar-fogo imediato, duradouro e respeitado". O documento também pede a retirada israelense de Gaza após a ofensiva de duas semanas por terra e ar. Os Estados Unidos se abstiveram na votação.   O governo dos Estados Unidos, tradicional aliado de Israel, preferiu se abster da votação, embora a secretária de Estado, Condoleezza Rice, tenha classificado a resolução como "um passo à frente". Segundo a BBC, ela afirmou que, no entanto, os Estados Unidos preferem esperar os resultados da mediação egípcia no conflito. Rice e os ministros das Relações Exteriores britânico, David Miliband, e da França, Bernard Kouchner, passaram o dia em intensas negociações com os representantes dos países árabes. Pouco antes da votação, os três países acabaram retirando sua oposição a uma resolução que pedia um cessar-fogo imediato na região.   Na quarta-feira, o gabinete de segurança do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, adiou uma decisão sobre o lançamento de uma escalada ainda maior contra as guerrilhas do Hamas, por meio da entrada em áreas urbanas, o que pode resultar na convocação de reservistas. Autoridades disseram que os ministros voltarão a se reunir por volta do meio-dia (8h de Brasília) da sexta-feira.   A campanha militar israelense em Gaza, onde centenas de palestinos - grande parte civis e crianças - foram mortos, tem sólido apoio entre os eleitores israelenses, que vão às urnas em um mês. A maioria apoia o objetivo declarado de Olmert de encerrar anos de lançamentos de foguetes pelo Hamas contra cidades israelenses. Esses ataques mataram 22 pessoas desde 2000.

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