ONU homenageia diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello

Ban assegurou que o brasileiro nunca permitiu que sua personalidade de 'lenda' na ONU subisse à sua cabeça

Efe

24 de março de 2008 | 23h00

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, homenageou nesta segunda-feira, 24, o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto em 2003 no Iraque, que "encarnava a figura ideal de um enviado das Nações Unidas." A morte de Vieira de Mello "deixou um vazio em nossa organização que talvez nunca se preencherá, seus amigos nunca o esquecerão e seus colegas não podem substitui-lo", reconheceu o secretário-geral. Ban elogiou o diplomata durante a exibição, na sede da ONU, do documentário "En Route to Baghdad" (2005), que recolhe seu trabalho ao longo de seus 34 anos nos quais atuou nas Nações Unidas. Ele assegurou que o brasileiro nunca permitiu que sua personalidade de "lenda" dentro da ONU subisse à sua cabeça e sempre levou em conta que não atuava como um indivíduo, mas como representante de toda a organização multilateral. "Não buscou ganhar concursos de popularidade, nem entre seu pessoal, nem entre a população dos países nos quais prestou serviço, mas se esforçou para ganhar seu respeito", disse. O principal responsável da ONU assinalou que o diplomata brasileiro sempre lembrou que precisava servir países e povos com necessidades, pelo que não hesitou em sacrificar seu bem-estar pessoal para cumprir sua missão. Vieira de Mello morreu com outras 21 pessoas no atentado que, em agosto de 2003, destruiu a sede da ONU em Bagdá, a onde meses antes tinha chegado como enviado especial após a invasão liderada pelos Estados Unidos. Ban afirmou que, após sua morte, a obrigação das Nações Unidas é "cumprir as missões inacabadas" pelas quais arriscou sua vida. "O que todos podemos fazer é manter vivo seu legado, que é a única forma de render uma verdadeira homenagem a um homem que amava tanto a vida que a arriscou para que outros pudessem vivê-la", acrescentou. A longa trajetória do brasileiro como diplomata da ONU nos lugares mais complicados do planeta e sua trágica morte em Bagdá foram alvo de várias biografias, a mais recente da jornalista e professora da americana Universidade de Harvard Samantha Power. Ela descreveu recentemente, em uma apresentação de seu livro, o carismático Vieira de Mello como uma mistura de James Bond, por seu gosto pela aventura, e o assassinado presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, por seu idealismo. Antes de ser enviado ao Iraque, Vieira de Mello ocupou os cargos de alto comissário para Direitos Humanos, enviado especial ao Kosovo em 1999 após a expulsão da Sérvia e administrador do Timor-Leste durante sua preparação para a independência, entre outros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.