ONU negocia acordo nuclear secreto com o Irã, diz jornal

Proposta prevê levantamento das sanções e permite que Teerã mantenha a maior parte do programa atômico

estadao.com.br,

17 Novembro 2009 | 09h36

Funcionários da agência nuclear da ONU negociam com o Irã em segredo um acordo que permitirá o levantamento das sanções aplicadas contra o país em troca da cooperação iraniana sobre o seu programa atômico. A informação está na edição desta terça-feira, 17, do jornal britânico The Times.

 

Veja também:

Irã: relatório da AIEA é 'ambíguo para justificar pressão política'

Obama: Irã terá 'consequências' se não abrir programa nuclear

especialEspecial: O histórico de tensões do Irã

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

especialEspecial: As armas e ambições das potências

 

De acordo com o jornal, um documento de 13 pontos foi preparado em setembro pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, numa tentativa de superar as negociações estagnadas. O Times cita fontes diplomáticas afirmando que El Baradei esperava chegar a um princípio de acordo com o Irã para apresentar aos países negociadores (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha) antes de deixar o cargo, no fim deste mês. A AIEA nega a existência desse documento.

 

De acordo com o jornal, o Conselho de Segurança da ONU revogaria as sanções em vigor e as cinco resoluções que exigem que o Irã suspenda suas operações de enriquecimento de urânio. O acordo permitiria que Teerã mantivesse o seu programa nuclear, ainda que sub supervisão da AIEA, como parte de um banco global controlado de combustível nuclear, que seria administrado por um consórcio internacional.

 

Sob as atuais condições das negociações, revogar as sanções impostas ao Irã seria algo inconcebível. O Ocidente estuda ainda a aplicação de novas sanções caso o regime não colabore com o diálogo. Rússia e China, países que possuem laços comerciais com o Irã, poderiam ver com bons olhos o acordo supostamente negociado pela AIEA.

 

As revelações coincidem com as informações divulgadas pelos inspetores da AIEA advertindo sobre o perigo de o Irã ainda ocultar várias plantas nucleares secretas da comunidade internacional. O novo informe será discutido na semana que vem, na última reunião do organismo presidida por El Baradei.

 

O que motivou a crítica da AIEA foi a descoberta, em setembro, de uma instalação secreta de enriquecimento de urânio incrustada numa base da Guarda Revolucionária na região montanhosa de Qom. Teerã admitiu que a instalação começou a ser erguida em 2007. A AIEA, entretanto, tem evidências de que a construção foi iniciada em 2002, parou em 2004 e seguiu adiante em 2006, ficando, portanto, sete anos sob segredo.

 

O relatório diz que o regime permitiu o acesso dos inspetores da AIEA a todas as dependências de Qom há três semanas, mas ainda não deu informações suficientes que permitam verificar se o urânio enriquecido no local serviria apenas para fins civis. Diplomatas ocidentais dizem que a capacidade de enriquecimento de urânio de Qom - onde se estima que existam 3 mil centrífugas - não faz sentido para um local que pretende ter uso exclusivamente civil. Ela seria pequena demais para alimentar uma usina de produção de energia, mas teria capacidade suficiente para produzir uma ou duas bombas atômicas por ano.

Mais conteúdo sobre:
Irã programa nuclear ONU

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.