ONU pede calma antes de resultado da eleição afegã

Números parciais sobre o pleito presidencial devem ser divulgados nesta terça-feira

REUTERS

24 de agosto de 2009 | 11h48

O enviado especial da ONU para o Afeganistão pediu nesta segunda-feira, 24, aos candidatos e eleitores que mantenham a paciência enquanto as queixas sobre a eleição presidencial da semana passada estão sendo averiguadas. A Comissão Eleitoral Independente (CEI) ainda não anunciou os resultados da votação da quinta-feira passada. O órgão, porém, afirmou que as reclamações de fraude encaminhadas até agora não tinham dimensão suficiente para alterar os dados finais. Na terça-feira devem ser divulgados resultados parciais.

 

Veja também:

linkForças no Afeganistão são insuficientes, diz Exército dos EUA

som Podcast: Lourival Sant'Anna fala do baixo comparecimento eleitoral

especial Especial: 30 anos de violência e caos no Afeganistão 

lista Perfil: Hamid Karzai é favorito à reeleição no Afeganistão

lista Perfis: Ex-ministros são os principais rivais de Karzai

video TV Estadão: Correspondente do 'Estado' vai ao local de atentado no Afeganistão

mais imagens Fotos: Galeria de imagens do clima eleitoral 

O país está num estado de limbo político desde a eleição, a segunda realizada no Afeganistão desde a derrubada do movimento islâmico ultraconservador Taliban, no final de 2001. Como ainda não há resultados oficiais, candidatos estão proclamando vitória e alegando fraude em favor de seus opositores. Um resultado que seja aceito pelos candidatos e seus partidários é crucial para o país e para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que fez da estabilização do Afeganistão sua prioridade em política externa.

O ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah, principal rival do presidente Hamid Karzai, tem se pronunciado mais, acusando o campo do atual chefe de Estado de "fraude em larga escala" e dizendo que seus partidários apresentaram mais de 100 queixas às autoridades eleitorais. Tanto Karzai como Abdullah proclamam vitória, mas também prometeram respeitar o resultado e evitar a incitação de violência. A CEI, parcialmente nomeada pela ONU, está examinando as reclamações.

O enviado da ONU, Kai Eide, reconheceu que houve alguns problemas na eleição, mas pediu paciência enquanto as autoridades averiguam as queixas. "Não há dúvida de que houve irregularidades durante a votação e antes do dia da eleição," disse ele a repórteres na sede da CEI, em Cabul. "Faço um apelo aos candidatos e às suas campanhas, como também aos eleitores, para que demonstrem a paciência e a calma necessária para que a CEI realize seu trabalho," afirmou Eide.

Duas pesquisas de opinião antes da eleição previram a vitória de Karzai, mas não por margem suficiente para evitar um segundo turno potencialmente desestabilizador contra Abdullah, em outubro. Para vencer no primeiro turno o candidato deve obter mais de 50 por cento dos votos.

A CEI informou ter recebido 225 reclamações, incluindo intimidação de eleitores, violação de urnas, violência e interferência de algumas autoridades eleitorais. Desse total, 35 foram classificadas como prioritárias, mas o vice-diretor da CEI, Zekria Barakzai, declarou à imprensa que essas 35 queixas não afetam o resultado da eleição.

Tudo o que sabemos sobre:
Afeganistãoeleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.