ONU quer clareza na retomada do processo de paz no Oriente Médio

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu na quinta-feira por "medidas mais claras e decisivas" para retomar o processo de paz entre israelenses e palestinos, enquanto a região aguarda uma possível novidade do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

PATRICK WORSNI, REUTERS

21 de abril de 2011 | 17h11

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Lynn Pascoe, e os embaixadores dos países do Conselho de Segurança afirmaram que é importante romper o impasse logo, já que setembro, o prazo dado para se chegar a um acordo, se aproxima.

As conversações de paz começaram em setembro do ano passado, com o objetivo de fechar um acordo em um ano, mas elas rapidamente cessaram depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se recusou a estender o congelamento parcial das obras dos assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada.

Os líderes palestinos disseram que, se o prazo expirar sem nenhum acordo, eles deverão buscar apoio na ONU para a criação do Estado palestino - medida que Israel e os EUA querem evitar.

"Passos claros e decisivos são necessários para resolver esse conflito de décadas, com visão, liderança e responsabilidade de todas as partes envolvidas," disse Pascoe numa reunião mensal do Conselho de Segurança sobre o Oriente Médio.

Ele afirmou que é motivo de preocupação o fato de "a via política estar falhando em um progresso significativo" em relação aos preparativos da Autoridade Palestina para se tornar um governo efetivo de um Estado.

Uma reunião planejada do Quarteto de mediadores do Oriente Médio - EUA, Rússia, ONU e União Europeia - foi cancelada duas vezes nas últimas semanas.

Diplomatas europeus afirmaram que os atrasos foram solicitados pelos EUA. Na semana passada, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que Obama apresentaria os planos para uma nova iniciativa dos EUA para a paz entre árabes e israelenses em um discurso a ser feito nas próximas semanas.

Netanyahu deve participar de uma reunião conjunta do Congresso norte-americano durante uma visita a Washington na semana que vem. Ele foi convidado pelo presidente republicano da Casa dos Representantes, John Boehner, um dos principais críticos de Obama.

Países europeus acreditam que os palestinos poderão desistir de sua solicitação por reconhecimento na ONU, se os "parâmetros" por novas conversações de paz forem anunciados. Diplomatas dizem que esperavam o anúncio do Quarteto, mas agora esperam que Obama o faça.

As diretrizes expressos em nota britânica-franca-alemã ao Conselho de Segurança em fevereiro incluem: Estado palestino e israelense com base nas fronteiras de 1967, mas corrigidas com trocas de território, arranjos de segurança para ambos os lados, Jerusalém como capital dos dois países e uma solução para os refugiados.

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