ONU se diz profundamente preocupada com abusos no Irã

Secretário Geral Ban Ki-moon afirma que atitudes do governo levantam dúvidas sobre respeito a direitos civis

Efe,

15 de outubro de 2009 | 22h24

O secretário geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse nesta quinta-feira, 15, sentir-se "profundamente preocupado" com as denúncias de uso excessivo de força, prisões arbitrárias e possíveis torturas cometidas durante as repreensões aos protestos que se seguiram após as eleições presidenciais no Irã.

 

Ban recomendou ao governo de Teerã e à oposição que resolvam suas diferenças por meio do diálogo e dentro da legalidade.

 

"A maneira que as autoridades atuaram nos protestos levanta dúvidas sobre o respeito ao direito de expressão, assim como o uso de força para controlar a manifestação e o tratamento dado àqueles que foram presos", disse o secretário geral.

 

Assim mesmo, ressaltou que o debate político que precedeu as eleições de 12 de junho, a alta participação e as manifestações pacíficas posteriores são "indícios positivos d vitalidade social e política" do Irã.

 

Ban recordou que depois do anúncio da reeleição do presidente Mahmud Ahmadineyad, os opositores do eleito saíram às ruas para protestar contra o resultado.

 

O secretário geral apontou que "não há um saldo exato do número de mortes" causadas pela violência relacionadas com os protestos, mas lembrou que a televisão nacional iraniana disse que foram sete, enquanto a imprensa internacional informou que seriam no mínimo 20.

 

Entre os mortos, destacou, encontra-se a jovem Neda Agha Soltan, que recebeu um disparo no peito durante os protestos em Teerã.

 

Também ressaltou que, a medida que cresciam as manifestações, as autoridades colocaram restrições para a imprensa na cobertura dos protestos, barrando o direito de ir e vir e o acesso a internet.

 

Ban também criticou a execução de menores de idade e advertiu de que isto é uma transgressão a Convenção Internacional dos Direitos Políticos e Civis e a Convenção dos Direitos das crianças, as quais o Irã é um signatário.

 

A República Islâmica aplicou a pena de morte, no ano passado, em oito adolescentes e, até setembro de 2009, havia executado outros três.

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