AP Photo/Ariel Schalit
AP Photo/Ariel Schalit

ONU suspende ajuda humanitária para Síria

Decisão ocorre após um comboio com alimentos ser atingindo por ataques no país na segunda-feira

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2016 | 07h33

GENEBRA - A ONU suspendeu toda a entrega de ajuda humanitária na Síria, depois que um comboio com alimentos foi atingindo na segunda-feira por ataques nas proximidades de Alepo, causando indignação por parte da entidade. Nesta terça-feira, 20, em Nova York e Genebra, diplomatas realizam reuniões de emergência numa tentativa de salvar o acordo de cessar-fogo.  

"O movimento de comboios foi suspenso na Síria, por questão de segurança", disse em Genebra o porta-voz da Coordenação de Ajuda Humanitária da ONU, Jens Laerke. "Isso irá vigorar até que uma nova avaliação seja realizada", disse. 

Os ataques, que deixaram 12 mortos, ocorreram depois que o comboio recebeu autorização do governo sírio para que os alimentos fossem entregues a uma área controlada por rebeldes e sitiada pelo regime de Bashar Assad. 

No total, 18 caminhões organizados pela Cruz Vermelha foram destruídos e a entidade humanitária denunciou uma "flagrante violação do direito internacional". Um dos diretores do grupo, Omar Barakat, morreu em razão da gravidade dos ferimentos.

"A equipe toda está em choque", disse Robert Mardini, executivo da Cruz Vermelha. Peter Maurer, presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, descreveu os ataques como "inaceitáveis". Os caminhões entregariam alimentos para abastecer 78 mil pessoas.  

Os planos de entregar ajuda para áreas rebeles como Foua e Kefraya em Idlib, além de Madaya e Zabadani foram suspensos.  Para Maurer, qualquer ataque contra trabalhadores humanitários promete ter um "profundo impacto" nos trabalhos pelo país. 

Testemunhas relataram à ONU que os ataques foram bombardeios aéreos, sugerindo que teria partido do governo de Assad ou das forças russas.  Stephen O'Brien, coordenador de ajuda emergencial das Nações Unidas, garantiu que o comboio levava sinalizações de que se tratava de uma missão humanitária e que o sinal verde havia sido recebido de "todas as partes" para as entregas.  "Vamos deixar claro: se ficar provado que o ataque foi deliberado, trata-se de um crime de guerra", declarou. "Precisamos de uma investigação imediata", disse.

Moscou informou nesta manhã que está investigando o caso. Mas, para a Casa Branca, a responsabilidade pela violação é do Kremlin, já que pelo acordo de cessar-fogo, coube ao governo de Vladimir Putin garantir que Assad cumprisse o compromisso de não atacar. "O destino do comboio era de conhecimento do regime sírio e dos russos", indicou o porta-voz do Departamento de Estado americano, John Kirby.

Nesta manhã, em Nova York, o caso seria alvo de uma reunião de emergência entre as potências. Presidentes de diversos países europeus também prometem denunciar o ataque no primeiro dia da Assembleia-Geral da ONU, que começa nesta terça-feira. 

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