Muzaffar Salman/AP
Muzaffar Salman/AP

ONU suspende operações na Síria por aumento de violência

Suspensão será revista diariamente e operações serão retomadas quando atividades obrigatórias puderem ser realizadas, afirmou general

estadão.com.br/ Atualizada às 13h39

16 de junho de 2012 | 10h39

Observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) na Síria suspenderam as operações no país devido ao aumento da violência nos últimos 10 dias, segundo informou o chefe da operações, o general Robert Mood. "Os observadores não vão conduzir patrulhas e vão permanecer em seus lugares até segunda ordem", declarou.

De acordo com Mood, ambos os lados intensificaram propositalmente os ataques violentos, o que passou a impedir os 300 monitores desarmados da ONU a exercerem seu mandato de observar o cessar-fogo acordado em 12 de abril. "Parece haver uma falta de disposição em ver uma transição pacífica. Ao invés disso, há um avanço rumo a posições militares", disse Mood a jornalistas.

"Esta suspensão será revista diariamente. As operações serão retomadas quando virmos que poderemos realizar nossas atividades obrigatórias", afirmou o general.

Centenas de pessoas, incluindo civis, rebeldes e forças do governo, foram mortos nos últimos dois meses, período em que deveria vigorar o cessar-fogo.

Na quinta-feira, 14, nove civis e três rebeldes foram mortos em confrontos na Síria. Na capital Damasco e na cidade de Idlib, no noroeste, dois carros-bomba explodiram. Na cidade de Deraa, sul do país, cinco pessoas foram mortas, quatro delas no bairro de Tareek Al-Sad, que foi fortemente bombardeado por tropas do regime, segundo informações do Observatório Sírio pelos Direitos Humanos.

Na quarta-feira, 13, pelo menos 77 pessoas foram mortas na Síria, sendo 49 civis, 21 soldados e sete rebeldes, afirmou o grupo. Mais de 14 mil pessoas morreram durante os 15 meses de revolta na Síria, a maior parte civis, de acordo com o Observatório.

Refugiados. O número de refugiados sírios registrados na Turquia superou 30 mil, disse a chancelaria turca à agência France Presse (AFP). "Mais de 400 sírios cruzaram a fronteira e entraram na Turquia na quinta-feira, elevando o número total de refugiados a 30.800", informou um funcionário do Ministério das Relações Exteriores, que falou sob anonimato.

O presidente da Turquia, Abdullah Gul, disse hoje que "infelizmente, a situação continua a pior na Síria", ao acrescentar que o plano de paz proposto pelo mediador internacional Kofi Annan parece ter sido abandonado pelo governo de Damasco.

O governo da Turquia acusou repetidas vezes o presidente sírio Bashar Assad de usar o plano de Annan para ganhar tempo. Grupos de ativistas sírios dizem que o número de pessoas mortas desde que a revolta contra Assad estourou, em março de 2011, ultrapassou 14.400. / Com agências internacionais.

    

Mais conteúdo sobre:
Primavera ÁrabeSíria

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.