ONU vê evidências de 'crimes de guerra' em conflito em Gaza

Investigação conduzida pelo órgão aponta falhas de israelenses e do Hamas na troca de mísseis do início do ano

Agência Estado e Associated Press,

15 de setembro de 2009 | 11h48

Uma operação de investigação promovida pelas Nações Unidas do conflito entre israelenses e palestinos na Faixa de Gaza encontrou evidências de que os dois lados cometeram "crimes de guerra". A ONU confirmou o fato nesta terça-feira, 15, data marcada para a entrega do relatório sobre os confrontos.

 

A investigação, liderada pelo ex-juiz sul-africano Richard Goldstone, concluiu que Israel cometeu "ações equivalente a crimes de guerra, possivelmente crimes contra a humanidade". O foco do estudo é o confronto militar entre os dias 27 de dezembro de 18 de janeiro, na Faixa de Gaza, que matou quase 1.400 pessoas, a maioria palestinos.

 

A ONU afirma que o relatório "conclui que também há evidências de que grupos armados palestinos cometeram crimes de guerra, bem como possíveis crimes contra a humanidade", ao lançar foguetes no sul de Israel. O governo israelense se recusou a cooperar com a investigação, afirmando que o Conselho de Direitos Humanos da ONU, que ordenou a apuração, tem uma tendência contra o país.

 

O Ministério de Relações Exteriores israelense, através de um porta-voz, declarou-se "chocado e desapontado" com o relatório da ONU. Segundo o funcionário, o conselho da ONU impõe "uma grande derrota para os governos, buscando defender seus cidadãos do terror". O porta-voz afirmou que as conclusões "são tão desconectadas das realidades in loco que uma pessoa pode questionar em que planeta está a Faixa de Gaza que eles visitaram".

 

A investigação foi realizada por Goldstone e outros três investigadores. Eles se basearam em 188 entrevistas, uma revisão de 10 mil documentos e 12 mil fotos e vídeos. O relatório fruto da pesquisa tem 575 páginas.

 

"Não deveria haver impunidade para crimes internacionais cometidos", notou Goldstone. "É muito importante que a justiça seja feita", afirmou o líder da pesquisa, que declarou ser judeu e ter fortes vínculos com Israel. "Portanto, me acusar de ser anti-Israel é ridículo."

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