Oposição diz que Ahmadinejad está na Bolívia pelo urânio

Deputado lamenta que governo de Evo queira 'arrastar país para palcos bélicos alheios'

Efe,

24 Novembro 2009 | 19h02

Líderes opositores bolivianos criticaram nesta terça-feira, 24, a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que chegou a La Paz depois de passar pelo Brasil, e disseram que o governante está na Bolívia com o objetivo de conseguir urânio para seu programa nuclear.

 

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O deputado conservador Pablo Klinsky disse que o Irã está "atrás do urânio" e lamentou que o Governo do presidente boliviano, Evo Morales, "queira arrastar a Bolívia para palcos bélicos alheios", como o embate entre os Executivos de Venezuela e Colômbia ou a tensão no Oriente Médio.

 

Klinsky lembrou que o Governo de Israel denunciou há meses a suposta venda de urânio boliviano ao Irã, assim como "os esforços" do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, para evitar que isto aconteça.

 

Segundo o deputado, ElBaradei "chegou a oferecer a Evo Morales um pacote de ajuda com a condição de que não venda urânio ao Irã".

 

Além disso, Klinsky apontou que a empresa canadense Mega Uranium tem 17 jazidas de urânio registradas na Bolívia e que "existiria um projeto avançado de prospecção no norte de Potosí".

 

"É muito preocupante que Evo Morales queira envolver a Bolívia no projeto atômico do Irã, que tem fins bélicos", afirmou o parlamentar.

 

Frente a estas críticas, o Governo Morales insistiu em que a Bolívia não exporta nem produz urânio atualmente, como apontam versões do Governo de Israel que acusam ao país andino e a Venezuela de fornecer este material ao programa nuclear do Irã.

 

No entanto, o Executivo boliviano reconheceu que a região de Potosí tem um projeto para buscar urânio em uma antiga mina que foi parcialmente explorada em meados da década de 70.

 

A Embaixada do Irã na Bolívia afirmou em junho que não cooperará com este país na busca ou exploração de urânio para seu programa nuclear.

 

Ahmadinejad chegou à Bolívia hoje de manhã. Ele deve se reunir com Morales para assinar convênios bilaterais.

 

Esta é a segunda visita do presidente iraniano à Bolívia. Em setembro de 2007, ratificou com Morales uma aliança baseada em sua posição comum contra o "imperialismo" dos EUA e assinou um plano de cooperação pelo qual o Irã se comprometeu a investir US$ 1,1 bilhão em território boliviano.

 

Um ano depois, em setembro de 2008, Morales reafirmou em Teerã, em uma visita oficial, seu compromisso para lutar "contra qualquer forma de imperialismo".

 

Ahmadinejad chega à Bolívia após passar ontem pelo Brasil, onde se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda hoje à tarde, ele deve seguir para a Venezuela.

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