Oposição ganha cadeira no Parlamento em votação no Líbano

Ex-presidente Amin Gemayel é derrotado em pleito chave entre políticos pró-EUA e oponentes pró-Síria

Agência Estado e Associated Press,

06 de agosto de 2007 | 04h55

O governo pró-Ocidente do Líbano sofreu um duro golpe nesta segunda-feira, 6, ao ver a confirmação de que seu candidato, o ex-presidente cristão Amin Gemayel, foi derrotado por um concorrente pouco conhecido em uma tensa votação parlamentar para substituir deputados assassinados recentemente. Na prática, o pleito de domingo foi um confronto entre políticos pró-EUA e oponentes pró-Síria e expôs as divisões existentes nas fileiras cristãs. Na disputa pela cadeira do distrito de Metn, ao norte da capital libanesa, um novato político apoiado pelo líder cristão de oposição Michel Aoun derrotou Amin Gemayel, que foi presidente do Líbano entre 1982 e 1988. O Líbano vive há meses um impasse político entre forças governistas e oposicionistas que em grande parte jaz sobre linhas sectárias. O Parlamento não se reúne há meses. Os muçulmanos xiitas, liderados pelo Hezbollah (partido pró-Síria financiado pelo Irã), predominam nas fileiras oposicionistas, com o apoio de grupos cristãos. Já os muçulmanos sunitas compõem a espinha dorsal da atual coalizão governista (pró-EUA e anti-Síria), com o apoio da elite dos cristãos maronitas. Os cristãos, por sua vez, dividem-se quase igualmente entre os dois campos. A divisão ficou clara na votação em Metn. O ministro de Interior Hassan Sabei anunciou os resultados antes do amanhecer de hoje. O candidato Kamil Khoury, apoiado por Aoun, venceu por uma margem de apenas 418 votos o ex-presidente Gemayel. Khoury obteve 39.534 votos. O índice de comparecimento foi de 46%. A derrota representou um duro golpe contra Gemayel, chefe de uma das mais influentes famílias maronitas do Líbano. Ele concorria à cadeira vaga desde novembro do ano passado, quando seu filho Pierre foi assassinado. A derrota é vista como um revés às pretensões de Gemayel de retornar à presidência. Aoun, um ex-comandante militar convertido em um dos principais líderes cristãos de oposição, já manifestou a intenção de concorrer para suceder o atual presidente libanês, Emile Lahoud, cujo mandato encerra-se este ano. Em Beirute, a cadeira em disputa foi vencida por um candidato governista pró-Ocidente que concorreu praticamente sem oposição, chamado Mohammed al-Amin Itani. Ele passou a ocupar a cadeira do parlamentar sunita Walid Eido, muçulmano sunita assassinado por um ataque com carro-bomba em junho. O resultado "reafirma a forte divisão" na comunidade cristã, que representa um terço dos 4 milhões de libaneses, diz o analista político Rami Khoury, do Instituto Issam Fares na Universidade Americana de Beirute. "A eleição mostrou uma comunidade cristã muito polarizada, o que não é surpreendente porque isso reflete a divisão que existe no resto do Líbano e em todo o Oriente Médio," comenta. Pela divisão de poder atualmente existente no Líbano, a presidência deve ser ocupada por um cristão, o cargo de primeiro-ministro cabe a um sunita e a presidência do Parlamento é reservada a um xiita. Gemayel tem cerca de 75% dos votos dos cristãos maronitas, maior comunidade cristã do Líbano, mas é impopular entre os cristãos ortodoxos e armênios, que apóiam a Aoun. "Aoun ainda é uma figura popular e formidável mas não pode se apresentar mais como líder dos maronitas," diz Rami Khoury. Os partidários de Gemayel culparam a comunidade armênia, majoritária no distrito de Metn, pela derrota. Os armênios libaneses são católicos romanos ou cristãos ortodoxos e não pertencem ao ramo maronita. Com o resultado do fim de semana, o governo do primeiro-ministro Fuad Saniora mantém sobre a oposição uma estreita margem de cinco cadeiras no Parlamento.Atualizado às 18h14.

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