Oposição libanesa chega a acordo para colocar fim a crise

Delegados americanos anunciam que pacto foi firmado nas conversas mediadas por árabes em Doha

Reuters e Associated Press,

20 de maio de 2008 | 19h06

A oposição libanesa chegou a um acordo com o governo nesta terça-feira, 20, para por fim à crise política que assola o país há 18 meses. Delegados americanos disseram à agência Reuters que o acordo foi firmado nas conversas mediadas por líderes árabes em Doha. Por enquanto, não há mais detalhes sobre as negociações.  Veja também:Mediadores exigem solução para impasse libanês até quartaHezbollah diz que seu desarmamento é inegociávelEntenda as divisões e a crise política  A oposição, liderada pelo Hezbollah, disse à Reuters que as disputas pelas eleições parlamentares e por um novo gabinete foram resolvidas no sexto dia de negociações en Qatar. "O acordo está pronto. O texto foi escrito", disse um delegado da oposição à Reuters.  Um delegado da coalizão também confirmou o acordo, que vai garantir a demanda da oposição pelo poder de veto no gabinete.  Nesta terça-feira, os mediadores árabes haviam estabelecido um prazo para que até quarta as negociações entre facções rivais do Líbano fossem concluídas.  A oposição também declarou que sob acordo irá retirar o acampamento que paralisou o centrou comercial de Beirute desde dezembro de 2006 e que foi montado como parte de uma campanha de protesto.  O acordo inclui um pedido de ambas as partes pelo não uso da violência em disputas politicas, ecoando um parágrafo no rascunho de um acordo feito para acabar com as lutas em Beirute.  Há duas diferentes propostas, apresentadas pelos grupos reunidos no Qatar para se encerrar o impasse político. O ministro das Relações Exteriores do Qatar, Ahmed bin Abdullah al-Mahmoud, disse que as propostas eram as "melhores soluções" apresentadas pelos mediadores para solucionar a crise.  As conversas enfocaram dois temas-chave - um governo de unidade nacional e uma nova lei eleitoral. Isso resultaria também na eleição do novo presidente libanês. A crise tornou-se violenta em 7 de maio, com confrontos entre grupos pró-governo e a oposição liderada pelo Hezbollah nas ruas da parte oeste de Beirute, de maioria muçulmana, nas montanhas centrais e no norte do país. Pelo menos 67 pessoas morreram. Um eventual acordo em Doha tende a levar à eleição do candidato presidencial de compromisso, o general Michel Suleiman, comandante do Exército. A presidência do Líbano está vaga desde o fim do mandato de Emile Lahoud, um político pró-Síria, em novembro do ano passado. Desde o início das conversas, a oposição liderada pelo Hezbollah insiste que a solução deve ser um pacote incluindo tanto a composição do novo governo de unidade nacional como a nova lei eleitoral. Os dois lados devem então voltar a Beirute, onde seria confirmado o nome de Suleiman no Parlamento.  A legislação é um tema importante, já que determinará a distribuição de poder no país e também deve influenciar diretamente o resultado das próximas eleições parlamentares, em 2009. Ao conceder mais prazo para as negociações, os anfitriões podem também consultar a Arábia Saudita, com influência sobre a maioria parlamentar apoiada pelo Ocidente. Já a oposição libanesa é aliada de Síria e Irã. Matéria alterada às 21h15 para acréscimo de informações

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