Oposição libanesa pode boicotar eleição presidencial

Manobra pode inviabilizar a escolha de um novo chefe de governo no primeiro turno do pleito

Reuters,

24 de setembro de 2007 | 12h21

O Hezbollah e seus principais aliados anunciaram nesta segunda-feira, 24, um boicote à eleição presidencial indireta no Líbano, para impedir a vitória da maioria anti-síria no Parlamento.   Os xiitas do Hezbollah e a facção do líder cristão Michel Aoun também planejam um boicote, o que inviabiliza a eleição de um presidente em primeiro turno com dois terços dos votos, como estipula a lei. Policiais e soldados reforçam a proteção ao Parlamento antes da sessão de terça-feira, cujo propósito original, cada vez mais distante, seria escolher um sucessor do presidente pró-sírio Emile Lahoud, cujo mandato termina em 24 de novembro. "Se não houver consenso (sobre um novo presidente), nosso bloco não vai participar da sessão", disse à Reuters Ali Hassan Khalil, um dos 16 deputados leais ao presidente da Casa, Nabir Berri, aliado de Damasco e também dirigente do movimento xiita Amal. A coalizão anti-síria tem escassa maioria, tornada ainda mais frágil na semana passada devido à morte do deputado cristão Antoine Ghanem, vítima de um carro-bomba. Ele foi o quarto parlamentar anti-sírio assassinado desde a eleição de 2005. A disputa presidencial, a primeira desde que as tropas sírias deixaram o Líbano, em abril de 2005, agravou a crise no país, a pior desde o fim da guerra civil (1975-1990). Veículos blindados, carros de bombeiro e ambulâncias formam um cordão de isolamento em torno do Parlamento e do Serail, a sede do governo, já separado por arames farpados de um acampamento montado há 10 meses pela oposição para tentar derrubar o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, que tem apoio dos EUA. O governo, que teme ver sua bancada reduzida por novos assassinatos, se reuniu para discutir a segurança na sessão parlamentar, a primeira convocada por Berri neste ano. Pelo sistema libanês de divisão de cargos, o presidente do país deve ser cristão maronita. Vários candidatos anti-sírios disputam contra Aoun. O comandante militar Michel Suleiman e o presidente do Banco Central, Riad Salameh, são cotados como possíveis candidatos de consenso.

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