Oposição síria ocupa lugar de Assad em cúpula árabe

Sob os aplausos dos chefes de Estado árabes, um inimigo de Bashar al-Assad assumiu a cadeira vaga da Síria numa cúpula nesta terça-feira, aprofundando o isolamento diplomático do presidente sírio e desviando as atenções das divisões internas da oposição.

SAMI ABOUDI E YARA BAYOUMY, Reuters

26 de março de 2013 | 19h58

Falando em uma reunião anual de líderes árabes no Catar, Moaz Alkhatib disse ter pedido ajuda militar dos Estados Unidos na defesa de territórios controlados pelos rebeldes no norte da Síria, usando para isso mísseis terra-ar Patriot hoje instalados na Turquia.

A Otan, aliança militar da qual Turquia e EUA fazem parte, imediatamente rejeitou a ideia.

"Foi uma reunião histórica", disse o porta-voz oposicionista Yaser Tabbara. "É um primeiro passo rumo à obtenção da legitimidade jurídica completa."

A Liga Árabe, composta por 22 países, provavelmente aprovará nesta cúpula uma autorização para que seus membros forneçam ajuda militar aos rebeldes sírios.

Alkhatib disse à cúpula que os EUA, que até agora oferecem apenas ajuda não militar aos rebeldes, deveriam se envolver mais nos esforços para derrubar Assad, que está excluído da Liga Árabe desde o fim de 2011.

"Pedi ao (secretário de Estado dos EUA, John) Kerry que estenda o guarda-chuva dos mísseis Patriot para cobrir o norte da Síria, e ele prometeu estudar o assunto", disse o líder oposicionista. "Ainda estamos esperando uma decisão da Otan para proteger as vidas das pessoas, não para lutar, mas para proteger vidas", acrescentou.

Mas, respondendo a esse pronunciamento, uma fonte na sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte, em Bruxelas, disse que "a Otan não tem a intenção de intervir militarmente na Síria".

A Turquia, que registrou nesta terça-feira a queda de um morteiro no seu território, sem deixar vítimas, disse que cabe à Otan decidir sobre o assunto.

Michael Stephens, pesquisador no Catar na entidade britânica Instituto Real de Serviços Unidos, disse que a Otan na prática entraria em guerra com Damasco se acatasse o pedido de Alkhatib.

Esse clérigo sunita assumiu o assento sírio na cúpula apesar de ter anunciado no domingo que renunciaria à liderança da Coalizão Nacional Síria.

Atrás dele estava sentado Ghassan Hitto, primeiro-ministro de um governo provisório que se propõe a administrar as áreas sob controle rebelde. O líder oposicionista George Sabra também estava na cúpula.

Alkhatib também fez um apelo incisivo aos demais líderes árabes para que "temam a Deus ao lidar com o seu povo" e libertem prisioneiros políticos, algo que contradiz as posições tradicionalmente anódinas levadas às cúpulas árabes.

O dirigente também criticou o que disse ser um fracasso ocidental em acabar com o conflito sírio e afirmou que o afluxo de combatentes islâmicos estrangeiros ao seu país não pode servir de pretexto para que o Ocidente negue ajuda aos sírios.

Ele denunciou a presença na Síria de iranianos e russos que estariam apoiando o governo.

(Reportagem adicional de Mirna Sleiman, William Maclean e Omar Fahmy, no Cairo; de Oliver Holmes e Erika Solomon, em Beirute; de Gulsen Solaker, em Ancara; e de Adrian Croft, em Bruxelas)

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