Oposição síria pede à Rússia que faça Assad renunciar

Figuras oposicionistas sírias no exílio exortaram a Rússia nesta terça-feira a persuadir o presidente sírio, Bashar al-Assad, a renunciar ao poder, avisando que Moscou corre o risco de ficar para trás na história se não abandonar o líder.

ANNA ANDRIANOVA, REUTERS

28 de junho de 2011 | 13h23

Importantes autoridades russas, que vêm frustrando as tentativas do Ocidente de condenar Assad pela repressão aos protestos contra seu governo, promoveram uma reunião em Moscou com alguns dos críticos mais acirrados de Assad.

A reunião foi vista como possível sinal de que o Kremlin pode estar se protegendo, tentando garantir sua influência no país do Oriente Médio no caso de Assad ser deposto.

O Ministério do Exterior russo disse que os representantes da oposição síria vieram ao país a convite de uma sociedade de cooperação regional e que não havia encontros oficiais previstos.

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que 1.300 civis já foram mortos durante os três meses de revolta contra o governo da família Assad, que já dura 41 anos. A revolta foi parcialmente inspirada nos levantes em outras partes do mundo árabe.

As autoridades sírias dizem que mais de 250 soldados e policiais já morreram em confrontos que, segundo elas, foram provocados por grupos militantes.

Mulhem Droubi, uma liderança da Irmandade Muçulmana, disse a jornalistas: "A Rússia deveria ajudar a Síria a alcançar a liberdade e a democracia, colocando mais pressão sobre o presidente sírio para que renuncie."

"Se tiver qualquer sentimento pela população síria, o presidente deve renunciar", disse Droubi depois de discussões com o enviado especial do Kremlin à África, Mikhail Margelov.

A Rússia vem exortando Assad a avançar mais rapidamente com as reformas prometidas, mas vem se opondo aos esforços ocidentais de condenar a repressão do presidente sírio no Conselho de Segurança da ONU e ecoando as alegações dele, atribuindo parte da violência a extremistas.

O primeiro-ministro Vladimir Putin, que a maioria dos diplomatas acredita ser o líder mais importante da Rússia, tentou na semana passada minimizar os vínculos de Moscou com a Síria, dizendo que a Rússia não tem nenhuma relação especial com Damasco.

Putin disse que qualquer líder de um país assolado por agitação interna deve enfrentar pressões internacionais para pôr fim ao derramamento de sangue.

"A Rússia tem apenas um amigo: o povo sírio", disse Margelov a repórteres depois das discussões.

Cerca de 50 partidários de Assad promoveram uma manifestação diante de uma coletiva de imprensa concedida pela oposição síria na terça-feira.

Nomeado por Medvedev para mediar no norte da África e no Oriente Médio, Margelov disse que a Rússia quer um diálogo político para impedir a Síria de seguir o caminho da Líbia, que mergulhou numa guerra civil.

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