Oposição síria rejeita plano de Annan se Assad permanecer

A oposição síria vai rejeitar o plano de transição política proposto pelo mediador internacional Kofi Annan se não determinar explicitamente o afastamento de Bashar al Assad antes da formação de um governo de unidade nacional, disse uma fonte da oposição na quinta-feira.

ERIKA SOLOMON, REUTERS

28 de junho de 2012 | 09h39

Fontes diplomáticas na ONU disseram que a proposta de Annan, destinada a encerrar 16 meses de conflito na Síria, não estipula a renúncia de Assad, embora diga que o governo de unidade não deve incluir figuras que ameacem a estabilidade.

"A proposta ainda está turva para nós, e posso lhe dizer que, se não declarar claramente que Assad deve renunciar, será inaceitável para nós", disse Samir Nashar, membro executivo do Conselho Nacional Sírio, um grupo da oposição.

O plano de transição de Annan será discutido no sábado em Genebra por potências mundiais e regionais, segundo diplomatas. Sua aprovação pela ONU depende do aval da Rússia, que até agora usou seu poder de veto no Conselho de Segurança para blindar o aliado Assad de qualquer tipo de interferência externa.

A ONU diz que as forças de Assad já mataram mais de 10 mil pessoas, a maioria civis, na repressão a protestos por democracia surgidos em março de 2011, como parte da chamada Primavera Árabe. Uma oposição armada passou a agir nos últimos meses com intensidade cada vez maior contra Assad, fazendo com que a Síria se encaminhe para uma situação de guerra civil.

Nashar disse que, em caso de renúncia de Assad, a oposição estaria disposta a permitir que outros membros do atual regime participem de um eventual governo de unidade nacional.

Mas combatentes rebeldes de outras facções dizem que o plano de Annan é todo inaceitável, e que a paciência deles com o mediador internacional está se esgotando.

"Isso é só um novo labirinto. É uma nova tolice que nos percamos nele e barganhemos sobre quem pode ou não participar", disse o combatente Ahmed, do Exército Sírio Livre (ESL), na cidade de Homs.

Outro guerrilheiro, este num subúrbio de Damasco, também rejeitou a mediação internacional. "Serei direto: o ESL está fazendo seu trabalho, e não está olhando para o mundo externo. Não queremos um governo transitório a não ser que seja formado por conselhos militares rebeldes. O mundo está conspirando contra a revolução síria."

Tudo o que sabemos sobre:
SIRIAOPOSICAOANNAN*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.