Ordem da União Europeia aumenta asfixia financeira do Irã

Novas sanções internacionais que entram em vigor no sábado irão reforçar o isolamento do Irã, ao privar o país do acesso às principais redes financeiras internacionais, mas Teerã está adotando medidas urgentes para resistir à pressão contra o seu programa nuclear.

REUTERS

15 de março de 2012 | 18h45

O sistema Swift, que administra transações transfronteirças, informou em Bruxelas na quinta-feira que irá desconectar instituições iranianas do seu sistema de mensagens a partir das 13h de sábado (hora de Brasília), cumprindo ordem emitida pela União Europeia após pressão dos Estados Unidos.

Casas de câmbio na região do golfo Pérsico disseram que estão parando de operar com o arriscado rial iraniano, o que é outro golpe para os canais iranianos de comércio.

Enquanto isso, dados da Reuters sobre a indústria marítima mostraram que navios com pelo menos 360 mil toneladas de grãos estão em fila para descarregar no Irã, num sinal de que Teerã vem montando um estoque de alimentos para tentar resistir ao impacto das sanções ocidentais.

A República Islâmica chega inclusive a comprar trigo do seu arqui-inimigo, os EUA.

Por causa das sanções, o país tem dificuldades para obter cartas de crédito ou realizar transferências bancárias internacionais. Por causa disso, o Irã comprou desde fevereiro cerca de 2 milhões de toneladas de trigo a preços sobretaxados, em moedas como rublos e ienes.

"Não há dúvida na minha cabeça que isso é um 'hedge' geopolítico. Eles estão tentando conseguir o máximo que puderem no país para atenuar o efeito de qualquer nova escalada nas sanções internacionais", disse o analista de commodities Nick Higgins, do Rabobank.

O regime de sanções isenta alimentos.

SISTEMA SWIFT

Um total de 19 bancos e 25 instituições afiliadas do Irã realizaram em 2010 um volume de 2 milhões de pagamentos internacionais usando o sistema Swift. Isso inclui bancos que os EUA acusam de financiar atividades nucleares ou terroristas - Mellat, Post, Saderat e Sepah.

A ordem da UE "força o Swift a agir", segundo o executivo-chefe do sistema, Lazaro Campos. "Desconectar bancos é uma medida extraordinária e inédita para o Swift. É um resultado direto da ação internacional e multilateral para intensificar as sanções financeiras contra o Irã."

Os EUA e seus aliados acusam o Irã de estar desenvolvendo armas nucleares secretamente, acusação que Teerã rejeita, alegando que suas atividades estão voltadas apenas para a geração de eletricidade para fins civis.

(Reportagem de Philip Blenkinsop e Sebastian Moffett em Bruxelas; Jonathan Saul em Londres; Michael Hogan em Hamburgo; Martina Fuchs e Marcus George em Dubai)

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