Órgão humanitário diz que falta transparência em investigação de Israel

Segundo Anistia Internacional, estrangeiros da comissão podem não ter acesso a informações vitais

Efe

15 de junho de 2010 | 16h31

LONDRES - A Anistia Internacional (AI) afirmou nesta terça-feira, 15, que falta transparência e independência à investigação interna proposta por Israel para esclarecer o ataque contra uma frota internacional de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, no qual morreram nove pessoas.

 

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A organização considera que a investigação, que será feita por uma comissão formada por três autoridades israelenses e dois observadores internacionais, não tem o formato adequado para garantir a imparcialidade. "O formato desta comissão representa uma decepção e uma oportunidade perdida", diz em comunicado o diretor para o Oriente Médio da AI, Malcolm Smart.

 

"A comissão não parece que vai ser independente nem suficientemente transparente, já que os dois observadores podem ter acesso negado a informações fundamentais", opinou Smart, ao lembrar que "as descobertas da comissão não serão usadas em futuros processos judiciais".

 

Segundo a AI, a comissão não investigará os israelenses envolvidos no ataque de 31 de maio e só terá acesso ao chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa, e sequer está claro se suas conclusões terão valor jurídico.

 

Além disso, os investigadores podem censurar dados caso considerem que podem prejudicar a segurança nacional de Israel. "Os procedimentos da comissão devem ser abertos, transparentes e permitir o acesso a todas as fontes de informação", insiste Smart. Para o órgão, o governo israelense não deveria determinar quais das descobertas serão divulgadas.

 

A AI mostra especial preocupação com a decisão de não usar as conclusões dos investigadores como provas em processos judiciais e alerta que Israel, como qualquer Estado, é obrigado pela legislação internacional a processar e punir os autores de delitos e a combater a impunidade. A organização também aponta que a designação desta comissão não deve perder o foco do contínuo bloqueio à Faixa de Gaza, que Israel "deve suspender imediatamente".

 

Em vez da investigação proposta pelo Estado judeu, que foi aceita com reservas pela comunidade internacional, a organização pede uma investigação internacional rápida, independente e crível, conduzida por pessoas de provada credibilidade e imparcialidade com a qual Israel deveria cooperar totalmente.

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