Otan amplia ataques a Trípoli e descarta paralelo com Iraque

Aviões de guerra da Otan atacaram Trípoli intensamente pelo segundo dia nesta quarta-feira, aumentando a pressão militar sobre Muammar Gaddafi, enquanto crescem os esforços diplomáticos para exigir a saída do líder após 41 anos.

JOSE, REUTERS

25 de maio de 2011 | 11h15

Seis fortes explosões foram ouvidas na capital no final de terça-feira em um espaço de 10 minutos, na esteira de ataques intensos um dia antes incluindo um sobre o complexo de Gaddafi, que as autoridades líbias disseram ter matado 19 pessoas e pelos quais a TV estatal culpou os "cruzados colonizadores".

Uma autoridade da Otan disse que a aliança atingiu um bunker de armazenamento de veículos, um depósito de mísseis e um centro de comando e controle nas cercanias de Trípoli. Alvos do governo próximos do bastião rebelde de Misrata, no oeste, também foram atingidos.

"Estivemos bastante ativos nas últimas 24 horas e continuaremos assim", disse a autoridade. "Atacar unidades de combate e pessoas tentando dar ordens está tendo o efeito desejado."

A agência de notícias líbia Jana diz que a Otan atacou uma estação de telecomunicações em Zlitan, a oeste de Misrata, de terça para quarta-feira, causando "perdas materiais e humanas".

O secretário das Relações Exteriores britânico, William Hague, descartou temores de que os países ocidentais estejam mergulhando em um conflito ao estilo iraquiano. "É muito diferente do Iraque, porque obviamente no caso do Iraque havia grande quantidade de tropas terrestres mobilizadas pelas nações do Ocidente", disse Hague à rádio BBC nesta quarta-feira.

França, Grã-Bretanha e Estados Unidos conduzem os ataques aéreos, que começaram no dia 19 de março depois que o Conselho de Segurança da ONU autorizou "todas as medidas necessárias" para proteger os civis das forças de Gaddafi, que procurava sufocara o levante contra seu governo de 41 anos.

Os três países dizem que manterão a campanha até Gaddafi deixar o poder. O ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, declarou na terça-feira que os bombardeios da Otan estão fazendo progresso e devem alcançar seus objetivos dentro de meses.

"Há cada vez mais centros de resistência (a Gaddafi), especialmente no oeste", afirmou Juppé ao parlamento francês. "As deserções estão se acelerando. Posso lhes garantir que nossa vontade é fazer com que a missão na Líbia não dure mais que alguns poucos meses."

Na semana passada, a França disse que irá mobilizar helicópteros de ataque para realizar ataques mais precisos contra as forças de Gaddafi misturadas à população civil das cidades líbias. A Grã-Bretanha declarou na terça-feira que cogita fazer o mesmo.

Analistas militares disseram que estes planos e a intensificação dos bombardeios de Trípoli refletem a crescente preocupação do Ocidente de que a guerra civil líbia se arrasta sem desfecho, mas que as novas manobras podem não bastar para virar o jogo rapidamente.

(Reportagem de Joseph Logan em Trípoli, David Brunnstrom em Bruxelas, Hamid Ould Ahmed em Argel, Suleiman al-Khalidi em Amã, Mohammed Abbas em Misrata, Sherine El Madany em Benghazi, e Nick Vinocur em Paris)

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