Otan anuncia envio de soldados ao Afeganistão e pede ajuda

Organização quer fomentar pressão internacional contra governo afegão em guerra 'que não é só dos EUA'

Rafael Cañas, Efe

02 de dezembro de 2009 | 19h52

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse nesta quarta, 2, que contribuirá com "pelo menos" 5 mil soldados ao novo esforço anunciado pelos Estados Unidos no Afeganistão, e fez uma chamada a todos os membros para que aumentem suas tropas, porque é "essencial" garantir o equilíbrio dentro da Aliança.

 

A Otan quer que a esta escalada cresçam as pressões internacionais contra o Governo afegão para conseguir uma ação mais eficaz, tanto no lado da segurança quanto no desenvolvimento econômico, para acelerar a transferência das tarefas de segurança às autoridades de Cabul.

 

"Isso não é apenas uma guerra dos Estados Unidos", afirmou claramente o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, em entrevista coletiva poucas horas depois do discurso de Obama em West Point, o que ressaltou a coordenação entre a Aliança Atlântica e Washington neste assunto. Rasmussen insistiu em que todos os países que participam da missão "devem fazer mais". A operação é "conjunta" e "não só dos EUA", já que a instabilidade no Afeganistão se traduz em "insegurança para todos", disse.

 

O político dinamarquês anunciou nesta quarta o resultado de várias semanas de consultas com os países mais abertos a aumentar sua contribuição, e anunciou que enviarão durante 2010 "pelo menos mais 5 mil soldados, e provavelmente alguns milhares mais".

 

Vários aliados anunciaram nas últimas semanas o envio de mais tropas, como o Reino Unido (500 militares), Polônia (600) e Eslováquia (250), assim como países que não são membros da Otan, mas estão presentes na operação, como a Geórgia, que anunciou maias 1 mil militares.

 

Outros países esperarão para fazer seus anúncios após a conferência internacional sobre o Afeganistão em 28 de janeiro de 2010, em Londres, a fim de explicar a suas opiniões públicas a necessidade de se envolver mais no país asiático e as mudanças esperadas do Governo afegão contra a corrupção e a favor do desenvolvimento.

 

A Alemanha - da qual a Otan espera uma contribuição "substancial" -, Itália e França estão neste grupo, disseram fontes diplomáticas.

 

No total, a Aliança espera soldados adicionais de "mais de 20" dos 43 países que atualmente participam Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), detalhou uma fonte da organização.

 

As consultas políticas para obter mais compromissos de tropas acelerarão amanhã, com a reunião de ministros de Exteriores da Aliança, e um dia depois, com uma reunião semelhante de todos os 43 países que participam da Isaf no Afeganistão, dirigida pela Otan.

 

Os países devem formalizar seus compromissos ou suas intenções durante a reunião da próxima segunda-feira no quartel-general do comando da Otan para a Europa (Shape), situado junto a Mons (sul da Bélgica).

 

Parte das "novas" tropas serão unidades já presentes para ajudar à segurança das eleições deste ano, e que se ficarão no país, reconheceu uma fonte diplomática americano.

 

A Otan acredita que os reforços devem permitir aumentar a segurança e promover a formação de soldados e policiais afegãos, de modo que, durante 2010, seja possível começar a transferir o controle de vários distritos às autoridades nacionais.

 

Também ressaltou que essa transição não é um eufemismo para uma retirada acelerada das tropas estrangeiras do Afeganistão, e insistiu em que a presença militar se estenderá a "tudo o que for preciso".

 

Obama avançou que as tropas poderiam começar a retirar em meados de 2011, no entanto, que supõe que o processo para dar a volta à situação "deve ocorrer em 18 meses", disse a fonte de Washington.

 

Além disso, avaliou que, em 2010, haverá mais ajuda econômica para o desenvolvimento afegão, começando pelos US$ 5 bilhões prometidos pelo Japão, assim como o aumento dos esforços em nível civil da União Europeia.

 

Com os reforços civis, a maior ajuda ao desenvolvimento e a ação do Governo afegão, a Otan espera ver "um novo impulso", afirmou o responsável da organização.

 

Atualmente, há pelo menos 71 mil soldados estrangeiros de 43 países no Afeganistão, que passariam a aproximadamente 110 mil dentro de alguns meses, com os reforços esperados.

Tudo o que sabemos sobre:
AfeganistãotropasenvioEUAObama

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.