Otan assumirá controle total da missão na Líbia em dias

A Otan vai assumir o comando completo das operações militares na Líbia "dentro de dois ou três dias", mas uma porta-voz da aliança disse que a organização não vê uma solução militar para a crise e que espera por uma solução política.

DAVID BRUNNSTROM, REUTERS

28 de março de 2011 | 13h54

A Otan concordou no domingo em assumir o controle de todas as operações na Líbia, colocando a aliança de 28 países no comando dos ataques aéreos que vêm alvejando a infraestrutura militar de Muammar Gaddafi, além de uma zona de exclusão aérea e um embargo de armas.

França e Grã-Bretanha exortaram os partidários de Gaddafi a abandoná-lo "antes que seja tarde demais" e pediram aos líbios que se opõem a ele que se unam em um processo político para preparar o caminho para a saída de Gaddafi.

"A transição já está em curso. Os países estão entregando equipamentos e armas à autoridade da Otan neste exato momento", disse a porta-voz chefe da Otan, Oana Lungescu, em entrevista à imprensa nesta segunda-feira.

"Essa transição não é instantânea. Está prevista para ocorrer ao longo de dois ou três dias."

Representantes da Otan disseram que o planejamento da aliança prevê uma operação de 90 dias de duração, mas que o cronograma dela vai depender da Organização das Nações Unidas (ONU).

"A missão foi planejada para 90 dias, mas isso não significa que seja restrita a 90 dias," disse um funcionário. "Vai depender da ONU nos dizer por quanto tempo quer que continuemos a operação."

Lungescu disse que a Otan espera que a missão seja a mais curta possível.

"Está claro para todos que não existe solução puramente militar para a crise na Líbia. O que esperamos é que a violência cesse e que haja uma solução pacífica para esta crise e uma transição para a democracia, que é o que a população da Líbia quer."

CONFERÊNCIA EM LONDRES

Lungescu disse que uma conferência de 35 países que terá lugar em Londres na terça-feira deve traçar "as linhas políticas gerais" para uma solução pacífica na Líbia. Um precedente possível seria a força multinacional estabelecida na Bósnia nos anos 1990.

De acordo com a porta-voz, a expectativa é que todos os 28 países membros da Otan participem da operação na Líbia, direta ou indiretamente.

Alguns países membros impuseram restrições a suas operações. É o caso da Holanda, que já declarou que participará apenas de patrulhas aéreas, não de ataques contra alvos em terra, disse o capitão Geoffrey Booth, oficial da Otan.

O general canadense Charles Bouchard, comandante da operação como um todo, disse que ela fez suas primeiras missões na operação da zona de exclusão aérea, mas que a transição para um papel mais amplo que inclua ataques em terra ainda está em curso.

Bouchard disse que a missão da Otan será "ajudar a proteger civis e centros populacionais contra ataques ou ameaças de ataques." Ele se negou a comentar os ataques aéreos recentes lançados por forças ocidentais, dizendo que a transição para o comando pleno da Otan ainda está em curso.

Indagado sobre como a Otan vai reagir se civis forem ameaçados por choques entre rebeldes e forças governamentais líbias, Bouchard se negou a detalhar quais serão as normas de engajamento militar da aliança.

"Toda ação que realizamos é feita com o cuidado de assegurar o mínimo de danos colaterais. Nosso trabalho é assegurar a segurança das pessoas," disse ele.

Indagado se a Otan, dada a imparcialidade declarada de sua missão, atacará forças rebeldes se estas ameaçarem civis, Lungescu se negou a responder.

"Essa é uma pergunta hipotética. Não vamos entrar nos detalhes sobre as regras de engajamento," disse ela. "Deixaremos a cargo dos comandantes da operação em campo dirigir as operações no dia a dia."

(Reportagem adicional de Philip Pullella em Nápoles)

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