Otan ataca Trípoli, e Líbia quer mais negociações

A Líbia está pronta para continuar negociando com os Estados Unidos e os rebeldes que querem derrubar Muammar Gaddafi, mas o líder líbio não vai se dobrar aos pedidos de renúncia, disse um porta-voz do governo neste sábado.

MISSY RYAN, REUTERS

23 de julho de 2011 | 11h25

Moussa Ibrahim afirmou que autoridades líbias tiveram um "diálogo produtivo" com colegas norte-americanos na semana passada, em um raro encontro que ocorreu depois de os Estados Unidos terem reconhecido o governo rebelde que pretende encerrar os 41 anos de Gaddafi no poder.

"Outras reuniões no futuro... ajudarão a resolver os problemas líbios", afirmou o porta-voz a repórteres em Trípoli no final da sexta-feira. "Também queremos dialogar mais com os norte-americanos."

Ele afirmou que Gaddafi não deixará o poder, nem sairá do país.

Horas depois, aviões da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) bombardearam alvos na capital, resultando em danos e feridos, afirmou a emissora de televisão estatal líbia, sem dar detalhes.

A Otan disse ter atingido um "centro de comando e controle".

Uma testemunha da Reuters ouviu pelo menos seis explosões no começo deste sábado, as maiores na cidade em várias semanas. Quatro delas sacudiram o hotel onde está hospedada a imprensa internacional.

O líder rebelde Mustafa Abdel Jalil afirmou que Gaddafi deve concordar publicamente em renunciar antes do início das negociações.

"Não há negociações com esse regime a não ser que ele declare sua saída e que está renunciando, ele e seus filhos, do poder", afirmou Abdel Jalil em um pronunciamento semanal em uma emissora controlada pelos rebeldes.

Enquanto Gaddafi tenta se manter no poder, apesar dos cinco meses de guerra civil e dos bombardeios da Otan, que foram autorizados por uma resolução da ONU (Organização das Nações Unidas), o Ocidente espera por uma solução negociada. Mas os EUA também querem a saída de Gaddafi.

Ibrahim afirmou que as autoridades líbias, mas não o próprio Gaddafi, realizariam mais encontros com os rebeldes, que controlam cerca de metade da Líbia, apenas se for sob as condições que o governo impor.

"Nações não negociam com gangues armadas", afirmou. Gaddafi pediu aos líbios que convençam os rebeldes a deixar as armas e se reintegrar aos "leais", ou combatê-los caso eles não mudem de lado.

Os comentários foram feitos no momento em a Líbia informou sobre um bombardeio da Otan perto do centro petrolífero de Brega, que foi palco de conflitos recentes. Segundo o governo, seis guardas morreram em uma estação de tratamento de água.

A Otan disse que o ataque atingiu um "depósito militar", em vez de a estação de água.

(Reportagem adicional de Rania El Gamal em Benghazi)

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