Otan ataca Trípoli; tropas de Gaddafi chegam a Misrata

Caças da Otan atacaram a capital da Líbia, Trípoli, na quarta-feira, depois que milhares de tropas leais ao líder Muammar Gaddafi avançaram e bombardearam a cidade de Misrata, controlada pelos rebeldes.

KHALED AL-RAMAHI, REUTERS

08 de junho de 2011 | 19h54

A ofensiva acontece 24 horas depois de um dos mais violentos ataques sobre a capital líbia desde que os ataques aéreos começaram, em março. À tarde, barulhentas explosões chacoalharam a zona central de Trípoli enquanto aeronaves davam rasantes, voltando a atacar.

Os ministros de Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte se encontraram em Bruxelas nesta quarta, mas demonstraram pouco interesse em intensificar a missão na Líbia, que até agora falhou em retirar Gaddafi do poder no país produtor de petróleo no Norte da África.

A aliança diz que os bombardeios buscam proteger os civis das forças militares do líder líbio, que esmagaram protestos populares contra o regime em fevereiro e deixaram vários mortos. O conflito se transformou em uma guerra civil.

"Misrata está sob forte bombardeio ... As forças de Gaddafi estão atacando Misrata de três fronts: leste, oeste e sul", disse o porta-voz rebelde Hassan al-Misrati à Reuters de dentro da cidade sitiada. "Ele mandou milhares de tropas de todos os lados para entrar na cidade. Eles ainda estão fora, no entanto."

Médicos do hospital Hekmah na parte central de Misrata disseram aos correspondentes da Reuters que os visitaram que ao menos 11 pessoas morreram e 35 ficaram feridas, muitas delas seriamente.

Um porta-voz rebelde em Misrata, chamado Mohammed, afirmou à Reuters na quarta que eles ainda controlam a cidade mesmo depois do ataque. Não houve comentário imediato do governo de Gaddafi.

Com autoridades como o secretário das Relações Exteriores britânico, William Hague, declarando explicitamente que Gaddafi deve ser retirado à força do poder, críticos dizem que a Otan foi além do seu mandato definido pela ONU para proteger civis.

As potencias ocidentais estão ao lado dos rebeldes. O ministro das Relações Exteriores da Espanha em visita à cidade de Benghazi disse que o seu país apenas reconhece o Conselho de Transição Nacional como o representante do povo líbio.

O porta-voz rebelde Kalefa Ali na cidade montanhosa de Nalut, no oeste, disse que as cidades de Yafran e Kalaa, que foram tomadas pelos rebeldes no início da semana, foram bombardeadas pelas forças de Gaddafi.

"Os rebeldes temem que as forças de Gaddafi lancem uma ofensiva em larga escala nas montanhas do oeste de maneira semelhante com que acontece com Misrata hoje", disse Ali. "Ele está lutando e não desiste."

Juma Ibrahim, um porta-voz rebelde em Zintan, disse que as forças de Gaddafi estão mantendo moradores sob custódia na cidade listada pelo patrimônio mundial de Gadamis, 600 quilômetros a sudeste da capital, na fronteira com a Tunísia e a Argélia, depois de protestos contra o governo.

As declarações sobre as montanhas e Gadamis não puderam ser verificadas de maneira independente porque o acesso dos repórteres é limitado.

As tropas de Gaddafi e os rebeldes estão em um impasse há semanas, como nenhum lado sendo capaz de conquistar o território em uma estrada entre Ajdabiyah, no leste, que foi atacada pelas forças de Gaddafi na segunda-feira, e a cidade a oeste produtora de petróleo Brega, controlada por Gaddafi.

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