Otan atinge área residencial de Gaddafi; rebeldes pedem ajuda

A Otan bombardeou o complexo de Muammar Gaddafi na quinta-feira, horas depois de o líder líbio ter encerrado as dúvidas quanto a seu paradeiro, fazendo a primeira aparição na televisão desde que outro ataque aéreo matou um filho dele, quase duas semanas atrás.

JOSE, REUTERS

12 de maio de 2011 | 17h21

O líder dos rebeldes, que buscam encerrar o domínio de Gaddafi, há 41 anos no poder, visitou Londres para buscar ajuda para seu movimento. A Casa Branca informou que uma delegação sênior dos rebeldes será recebida em Washington pela primeira vez na sexta-feira.

Os rebeldes que combatem Gaddafi há quase três meses controlam o leste do país, enquanto as forças de Gaddafi controlam a capital, Trípoli, e quase todo o oeste da Líbia.

Forças lideradas pela Otan estão bombardeando a Líbia, segundo os termos de uma resolução da ONU que as autoriza a proteger civis. Os EUA, Grã-Bretanha e França dizem que não vão suspender sua campanha aérea até que Gaddafi deixe o poder.

Ao longo do conflito, as forças da Otan já atingiram alvos no interior do complexo de Gaddafi, Bab al-Aziziyah, várias vezes, mas negaram que o alvo fosse o próprio líder.

Funcionários líbios levaram repórteres para ver o cenário do ataque aéreo lançado contra o complexo na noite de quinta-feira. Eles disseram que três pessoas morreram e 25 ficaram feridas.

Um canto de um prédio de dois andares foi destruído, deixando fragmentos de concreto espalhados pela rua abaixo. Crateras profundas foram deixadas em dois outros pontos do complexo.

O porta-voz do governo, Mussa Ibrahim, disse que os ataques atingiram um lugar perto de um ponto para o qual líbios vêm todas as noites, alguns acompanhados de suas famílias, para gritar slogans em apoio a Gaddafi.

Ele negou que a área contenha instalações militares e apontou para um pequeno parque perto de uma das crateras, onde crianças brincavam em um carrossel.

"A aliança Otan é completamente destituída de moralidade", disse Ibrahim. "Ninguém tem o direito de mandar o povo da Líbia afastar-se das cidades para que estas possam ser bombardeadas."

Um funcionário na sede da Otan disse que o alvo atingido foi um grande complexo militar de comando e controle.

"Sabe-se que esses locais são instalações de comando e controle nos quais são coordenados ataques contra populações civis na Líbia", disse o funcionário.

A televisão estatal informou que a embaixada norte-coreana em Trípoli também foi fortemente danificada nos ataques noturnos da Otan, mas o representante da Otan negou que a embaixada tenha sido atacada.

Mais cedo, Gaddafi tinha posto ponto final a quase duas semanas de especulações quanto a seu paradeiro, quando a televisão líbia o mostrou em um encontro com autoridades em um hotel de Trípoli.

O líder líbio não tinha sido visto em público desde que um ataque em 30 de abril matou seu filho mais jovem e três de seus netos.

Ele apareceu publicamente na quarta-feira trajando vestes marrons e óculos de sol, em seu figurino padrão, cumprimentando um grupo de líderes tribais.

Milhares de pessoas foram mortas desde o início da revolta contra o governo de Gaddafi, no final de fevereiro.

(Reportagem de Matt Robinson em Zintan, Mohammad Abbas e Deepa Babington em Benghazi, Hamid Ould Ahmed em Argel, David Brunnstrom em Bruxelas, Peter Griffiths em Londres, Catherine Hornby em Roma, Matt Spetalnick em Washington e Stephanie Nebehay em Genebra)

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