Otan e EUA discordam sobre saída do Afeganistão em 2014

Oficial da administração Obama disse que os EUA não se comprometeram em encerrar sua missão no país até a data indicada

AP,

20 de novembro de 2010 | 14h19

As nações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concordaram formalmente neste sábado, 20, em iniciar a volta das forças militares locais do Afeganistão no próximo ano com o retorno do controle total do país até 2014. Representantes dos Estados Unidos e aliados, no entanto, discordaram sobre quando as operações de combatem devem ser finalizadas.

 

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que ele não espera que as tropas da organização estejam em combate contra o Talebã após 2014. "Não vejo nossas tropas em combate após 2014, uma vez que o curso da situação de segurança nos permite avançar para um papel de suporte", disse a repórteres.

 

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No entanto, um oficial da administração Obama, que não quis se identificar, disse que os Estados Unidos não se comprometeram a encerrar sua missão no país no final de 2014. O oficial disse que uma mudança na missão americana no Afeganistão não é iminente porque ainda não estão claras as necessidades de segurança e recursos para o procedimento de transição.

 

Cada membro da Otan fará uma decisão individual sobre quando sua missão de combate mudará, disse o oficial. A visão dos Estados Unidos pode refletir uma relutância em prever o término do combate, para não dar ao Talebã uma sensação de derrota de seu adversário. Também pode indicar menos certeza por parte do governo norte-americano de que os afegãos conseguirão tomar controle total até 2014, e talvez uma falta de vontade maior entre os europeus de encerrar uma operação de combate que já chega a nove anos.

 

Na sexta-feira, Ivo Daalder, embaixador americano na Otan, disse que o objetivo de 2014 e o fim do papel da Otan no combate no Afeganistão "não são a mesma coisa". Mas as nações da organização insistem em remover todas as suas tropas até a data. O secretário do Exterior britânico, William Hague, reiterou que seu país encerrará sua missão no Afeganistão até 2015.

 

Vários membros da Otan estão discutindo reduzir o número de suas tropas no país antes de 2014, mas o acordo da Otan não especifica quando as reduções de tropas devem começar.

 

Em Lisboa os 28 membros da Otan e o Afeganistão assinaram ainda um acordo para que a Aliança Ocidental permaneça no país após 2014 para garantir assistência militar às forças militares afegãs - incluindo suporte aéreo, treinamento, consultoria e logística - e para ajudar no desenvolvimento econômico e assistência humanitária.

 

"Iniciamos um processo em que o povo afegão se tornará dono de sua própria casa", disse Rasmussen após líderes da Otan, incluindo o presidente Barack Obama, chegaram a um consenso sobre a data de retirada, inicialmente proposta pelo presidente afegão, Hamid Karzai, no ano passado.

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