Otan e EUA se dispõem a promover reconciliação afegã com Taliban

A Otan e os Estados Unidos estão dispostos a oferecer assistência prática para ajudar o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, a buscar uma reconciliação com o Taliban, mas por enquanto precisam manter a pressão militar, afirmaram autoridades nesta quinta-feira.

REUTERS

14 de outubro de 2010 | 16h32

O secretário-geral da aliança militar ocidental, Anders Fogh Rasmussen, falou sobre a perspectiva de uma negociação de paz um dia depois que uma autoridade do alto escalão da Otan afirmou que os soldados no Afeganistão já estavam facilitando os contatos entre o governo afegão e alguns integrantes do Taliban.

Rasmussen não confirmou se essa assistência já estava ocorrendo, mas disse numa entrevista coletiva que a posição da aliança era a de que "se podemos facilitar esse processo por meio de uma assistência prática, então por que não? Se formos solicitados estaremos preparados a fazer isso."

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, afirmou que o governo norte-americano poderá "fazer o que for necessário" para ajudar no processo de paz.

"Sempre reconhecemos que a reconciliação terá que ser parte da solução no Afeganistão, e nós vamos fazer o que pudermos para apoiar esse processo", disse Gates a jornalistas numa conferência da Otan em Bruxelas.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, pediu cautela em relação às notícias de progressos no processo de reconciliação. Segundo ela, esse "é um esforço complexo que está apenas começando".

Enquanto isso, Rasmussen afirmou que era importante manter a pressão militar na guerra, que já dura nove anos.

"Acho que devemos continuar com nossas operações militares. Acredito que a melhor forma de facilitar o processo de reconciliação e reintegração é manter a pressão sobre o Taliban."

Rasmussen salientou que qualquer tipo de reconciliação exigirá que os indivíduos baixem suas armas, cortem os elos com grupos terroristas e respeitem a constituição afegã, incluindo o direito das mulheres. O Taliban rejeita essas condições e afirma que não negociará a menos que as tropas da Otan deixem o Afeganistão.

Autoridades afegãs e norte-americanas afirmam que um acordo de paz é apenas uma possibilidade distante, embora a perspectiva esteja ganhando uma atenção cada vez maior à medida que se aproxima o mês de julho, quando os EUA planejam começar a retirada de seus quase 100 mil soldados do Afeganistão.

O Taliban nega manter qualquer contato com Cabul. O porta-voz Zabihullah Mujahid classificou na quarta-feira essas afirmações de "propaganda".

(Por Phil Stewart e David Brunnstrom)

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