Otan interrompe ataques a Trípoli após bombardeios intensos

Ataques dos últimos dias foram os mais pesados desde o começo da intervenção no país

REUTERS

08 de junho de 2011 | 10h25

TRÍPOLI - Os bombardeios da Otan a Trípoli foram suspensos na manhã desta quarta-feira, 8, depois de alguns dos mais pesados ataques à capital líbia desde o início das operações em março. Os rebeldes, por outro lado, disseram que o Exército do líder líbio, Muamar Kadafi, continuava a atacar suas posições.

 

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Um repórter da Reuters em Trípoli afirmou que não foram ouvidas mais explosões depois das 2h da madrugada. Fortes estrondos tinham antes abalado Trípoli ao longo da terça-feira e no início desta quarta. Os aviões atingiam a cidade diversas vezes a cada hora.

A Otan diz que a campanha de bombardeios tem por objetivo proteger os civis das forças do líder líbio, que esmagaram revoltas populares contra seu governo, em fevereiro, deixando muitos mortos.

Mas, com autoridades como o secretário britânico de Relações Exteriores, William Hague, falando explicitamente sobre a necessidade da renúncia de Kadafi, os críticos dizem que a Otan foi muito além do mandato que a ONU lhe conferiu para proteger os civis.

O porta-voz dos rebeldes Abdulrahman disse à Reuters, na cidade de Zintam, que as forças pró-Kadafi haviam bombardeado nesta quarta-feira essa cidade situada no oeste do país, depois da maior concentração de militares nas imediações desde o início dos combates na área, na terça-feira.

Ao mesmo tempo, Kadafi prometeu na terça-feira combater até o fim, depois dos bombardeios da Otan contra o complexo de edifícios em que se encontra, em Trípoli.

"Nós só temos uma opção: vamos ficar na nossa terra vivos ou mortos", disse ele em um furioso pronunciamento de áudio divulgado pela TV estatal.

A emissora mostrou depois imagens que disse serem de Kadafi reunido com líderes tribais na terça-feira. Ele tem procurado mostrar a campanha da Otan como uma tentativa do Ocidente de se apoderar do abundante petróleo da Líbia.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que houve progresso significativo na operação e a saída de Kadafi "é apenas uma questão de tempo".

De acordo com o governo líbio, pelo menos 31 pessoas foram mortas em 60 bombardeios contra Trípoli nos últimos dias. Esse número não pôde ser checado com fonte independente.

As tropas de Kadafi e as forças rebeldes estão há semanas estagnadas em seus combates. Os rebeldes controlam o leste da Líbia, a cidade ocidental de Misrata e a cadeia de montanhas perto da fronteira com a Tunísia. Eles não têm sido capazes de avançar na capital contra as melhores equipadas forças de Kadafi.

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