Otan investiga novas mortes de civis no Afeganistão

As forças da Otan no Afeganistão disseram nesta quinta-feira que estão investigando se seus soldados mataram inadvertidamente sete civis no sul do país, dois dias depois de um relatório da ONU apontar um forte aumento nas mortes civis no conflito.

REUTERS

12 de agosto de 2010 | 18h14

A Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, sigla em inglês das forças estrangeiras sob o comando da Otan) afirmou que soldados na província de Helmand foram alvejados por insurgentes no bairro de Loyadera, em Lashkar Gah, a capital provincial.

Em nota divulgada na noite de quinta-feira (hora local; à tarde no Brasil), a Isaf disse que os soldados pediram reforços aéreos para enfrentar os insurgentes.

"Mais tarde, civis afegãos feridos e mortos foram trazidos para um posto de controle próximo", disse a Isaf, sem citar números. Os feridos, segundo a nota, receberam atendimento médico imediato.

Horas antes, a Isaf havia dito que forças afegãs e estrangeiras haviam sido atacadas em outra parte de Helmand, e que uma afegã havia sido baleada por soldados da Isaf durante o confronto. Em outra nota, a Isaf informou que a mulher morreu.

A ocorrência de mortes entre civis há anos provoca atritos entre o governo afegão e seus aliados ocidentais. No ano passado, em duas ocasiões os comandantes afegãos reforçaram as diretrizes táticas para seus soldados, adotando restrições adicionais para o uso de bombardeios aéreos e revistas domiciliares.

Em nota a propósito do incidente de Lashkar Gah, o coronel norte-americano Rafael Torres, porta-voz da Isaf, disse que a força da Otan "leva a sério as alegações de vítimas civis."

"Estamos mobilizando uma equipe combinada de avaliação afegã-Otan para determinar o que aconteceu."

Na terça-feira, a ONU divulgou um relatório dizendo que o número de vítimas civis no conflito havia subido 31 por cento no primeiro semestre de 2010, em relação ao mesmo período do ano anterior.

O relatório informou que 1.271 civis morreram e 1.997 ficaram feridos. O Taliban e outros insurgentes teriam sido responsáveis por 76 por cento dessas vítimas.

O número de incidentes atribuídos a "forças pró-governo" ficou em 386, o que significa 12 por cento do total de vítimas civis ante 30 por cento no ano anterior.

A queda reflete principalmente uma redução de 64 por cento nas mortes por bombardeios aéreos.

Um porta-voz do governo afegão qualificou nesta semana de "indefensáveis" as mortes de civis cometidas por ambos os lados.

(Reportagem de Paul Tait)

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