Otan vai encerrar missão no Iraque após saída de tropas dos EUA

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) vai encerrar os sete anos de missão de treinamento de tropas no Iraque no final de dezembro, informou a aliança nesta segunda-feira, numa decisão que vai coincidir com a retirada dos soldados dos Estados Unidos do país.

DAVID BRUNNSTROM, REUTERS

12 de dezembro de 2011 | 18h50

A medida segue o anúncio do presidente dos EUA, Barack Obama, em outubro, de que as tropas norte-americanas voltarão para casa no final do ano, depois que negociações para manter milhares de oficiais no Iraque como treinadores fracassaram devido à condição de Washington de que as forças dos EUA deveriam ter imunidade nos tribunais locais.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que a decisão de encerrar a missão, iniciada em 2004, foi tomada em uma reunião de embaixadores da aliança em Bruxelas, na Bélgica.

Uma autoridade da Otan afirmou que as negociações com o Iraque caíram num impasse sobre a mesma questão de jurisdição.

"Um acordo sobre a extensão deste programa bem-sucedido não foi possível, apesar das firmes negociações conduzidas ao longo de várias semanas", disse Rasmussen em comunicado, acrescentando que a Otan continua comprometida com uma futura cooperação com o Iraque.

Ele declarou que a missão da Otan ajudou a desenvolver uma força de segurança multiétnica mais sustentável, treinando mais de 5.000 militares e 10.000 policiais no Iraque nos últimos sete anos.

A Otan também forneceu cursos para cerca de 2.000 funcionários iraquianos nos países da Otan e disponibilizou mais de 115 milhões de euros em equipamento militar e 17,7 milhões de euros em doações.

As tropas dos EUA deixarão o Iraque até o fim do ano, quando um pacto de segurança bilateral expira, quase nove anos depois da invasão norte-americana que tirou Saddam Hussein do poder.

Autoridades dos EUA haviam pedido que cerca de 3.000 soldados do país ficassem no Iraque, mas o governo iraquiano não tinha condições políticas para pressionar por qualquer acordo sobre imunidade no Parlamento.

Cerca de 200 treinadores dos EUA, no entanto, participarão de uma cooperação de segurança e 700 instrutores civis vão ajudar a treinar forças iraquianas a operar novos equipamentos militares.

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