Países árabes devem pressionar Israel em agência nuclear da ONU

EUA alertou que pressão pode afetar negociações de paz entre israelenses e palestinos

Reuters

16 de setembro de 2010 | 15h58

VIENA - Os países árabes prometeram na quinta-feira, 16, intensificar a pressão sobre Israel para que se una ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), desafiando as advertências dos EUA de que essa atitude poderá afetar as conversações de paz no Oriente Médio.

 

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Indicando falta de disposição para um comprometimento, os países árabes membros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também criticaram duramente um relatório do diretor do organismo sobre as capacidades nucleares israelenses, dizendo que o texto é "fraco" e "sem substância."

Os EUA e seus aliados do Ocidente pediram que o grupo cancele uma planejada resolução para a assembleia anual da AIEA, na semana que vem, solicitando que Israel assine o Tratado de Não Proliferação Nuclear e coloque todas as instalações atômicas do país sob a vigilância do organismo da Organização das Nações Unidas (ONU).

Israel - que se supõe seja o único país do Oriente Médio a ter um arsenal atômico - e EUA consideram o Irã como a principal ameaça de proliferação da região e o acusam de tentar desenvolver armas atômicas. Teerã rejeita a acusação.

O enviado de Israel à AIEA afirmou que a iniciativa árabe tinha motivação política e afirmou que era um "direito soberano" decidir se aderia ou não ao tratado, afirmaram diplomatas que participaram de uma reunião a portas fechadas do conselho da agência.

Os países árabes obtiveram pouco apoio para uma resolução similar na conferência geral de 2009 da AIEA (que reúne 151 países), mas os EUA tiveram de fazer um forte lobby para evitar uma repetição neste ano.

O enviado norte-americano à AIEA afirmou que a resolução alvejando Israel atrapalharia os esforços mais amplos em 2012 rumo ao estabelecimento de uma região livre de armas de destruição em massa e também poderia atrapalhar as negociações de paz entre israelenses e palestinos.

"Isso apenas enviaria um sinal negativo ao processo de paz mais amplo", disse o embaixador Glyn Davies a jornalistas nos bastidores de uma reunião de conselho da AIEA, com 35 países.

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