Países árabes não querem fechamento do Estreito de Ormuz, diz Kuwait

Nações do Golfo têm planos de contingência caso Irã bloqueie o canal em resposta a sanções

Reuters

30 de janeiro de 2012 | 13h31

ABU DHABI - Guarda-costeiras e as forças navais do grupo de países árabes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) têm planos contingenciais para uma possível tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, disse uma autoridade marítima do Kuwait nesta segunda-feira, 30.

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Cinco dos seis membros do CCG - Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar e o Kuwait - contam com a abertura da rota mais importante de exportação de energia do mundo para comercializar a maior parte de seu petróleo ou gás.

O governo do Irã ameaçou fechar o estreito canal entre Omã, o único membro do CCG que não depende de Ormuz, e o Irã se as sanções ocidentais que visam acabar com financiamento do controverso programa nuclear do Irã impedirem o país de vender o seu petróleo.

Os membros do CCG, que também dependem da abertura do canal de 6,4 quilômetros para importar alimentos para suas populações, agora esboçaram um plano de contingência no caso de as ameaças do Irã se concretizarem.

"Exportar petróleo ou importar bens e cargas através de Ormuz é uma preocupação vital para o CCG", disse o comandante Mubarak Ali al-Sabah, chefe das operações marítimas da Guarda Costeira do Kuwait. "O CCG tem um plano como uma organização - não apenas o Kuweit, separadamente, ou o Bahrein ou a Arábia Saudita - temos um plano que esperamos que mantenha tudo seguro", disse Al-Sabah, sem entrar em detalhes.

"A consciência e a compreensão das consequências aumentaram", disse. "Temos planos de como lidar com isso, mas não fizemos exercícios em campo sobre isso", completou.

Al-Sabah disse que o planejamento incluiu a coordenação tanto com as guarda-costeiras e marinhas das nações do CCG quanto com as forças navais ocidentais que patrulham a região - incluindo as norte-americanas, australianas e francesas.

As guarda-costeiras do Kuwait e do Irã se encontram regularmente para discutir como administrar sua fronteira marítima compartilhada, e a próxima reunião foi marcada para o próximo mês.

Petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz transportam cerca de 16 milhões de barris por dia (bpd), ou pouco menos de um quinto dos estoques mundiais de petróleo.

Um novo oleoduto dos campos de petróleo dos Emirados até o golfo de Omã poderia carregar a maior parte das exportações do produtor de petróleo do Golfo, membro da Opep, se Ormuz fosse bloqueado.

Mas mesmo uma breve interrupção à navegação poderia interromper a maior parte da exportação de petróleo do Golfo da Arábia Saudita, Irã, Kuwait e Iraque, juntamente com a exportação de gás natural liquefeito (LNG) do Catar.

Em dezembro, a 5a Frota Americana disse que não iria tolerar nenhuma interrupção ao tráfego de Ormuz, mas analistas dizem que o Irã pode ser capaz de impedir o tráfego no Estreito espalhando minas na área.

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