Países árabes pedem o fim da violência na Síria

Os países da Liga Árabe pediram nesta terça-feira uma "mudança imediata" e o fim da violência na Síria, após meses de repressão do governo aos protestos contra o presidente Bashar al Assad.

ANDREW HAMMOND E YASMINE SALEH, REUTERS

13 Setembro 2011 | 19h58

Em nota divulgada ao final da uma reunião no Cairo, os chanceleres árabes também disseram que Assad precisa iniciar um diálogo nacional para resolver o conflito.

"A atual situação na Síria ainda é muito séria, e uma mudança imediata precisa acontecer a fim de conter o derramamento de sangue e evitar que as pessoas enfrentem mais violência", disse o comunicado.

Os ministros cobraram das autoridades sírias a implementação de medidas prometidas durante uma visita a Damasco, na semana passada, do secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby, o que incluiria um cessar-fogo, a libertação de presos políticos e a autorização para que uma missão da Liga Árabe visite o país a fim de verificar os fatos.

A declaração não faz menção a uma proposta de resolução, apresentada durante a reunião, que rejeitava as sanções unilaterais dos EUA a Damasco.

O primeiro-ministro do Catar, xeique Hamad bin Jassim, que presidiu a reunião, disse que os Estados árabes esperam que o conflito sírio seja resolvido internamente ou entre os países árabes, e não por uma intervenção estrangeira.

"Esperamos e oramos a Deus para que os atos violentos e o derramamento de sangue parem na Síria, e esperamos que a situação seja resolvida pelos sírios ou por intermédio dos sírios e árabes", disse ele a jornalistas.

Na terça-feira, forças sírias mataram a tiros cinco pessoas que acompanhavam o funeral de moradores de uma aldeia próxima à cidade de Hama, mortos em outros protestos na véspera, segundo ativistas locais.

Os disparos, segundo esses relatos, partiram de franco-atiradores da polícia, postados no teto de uma escola e sobre uma caixa d'água na localidade de Kfar Nubouzeh, onde centenas de participantes do funeral começaram a entoar palavras de ordem pela renúncia de Assad, segundo ativistas que tiveram contato com moradores do lugar.

Um desses ativistas disse que Kfar Nubouzeh está entre as regiões mais atingidas pela repressão, por ser a terra natal do procurador-geral de Hama, que renunciou há dez dias em protesto contra a repressão, e de quem não se tem notícia desde então.

"Kfar Nubouzeh também tem sido o ponto de encontro para manifestantes de aldeias dos arredores", disse esse ativista.

O governo sírio expulsou do país a maioria dos correspondentes de meios de comunicação estrangeiros, o que dificulta a confirmação dos relatos vindos do país.

QUESTÃO PALESTINA

Durante a reunião no Cairo, os chanceleres árabes também manifestaram apoio ao líder palestino, Mahmoud Abbas, na sua intenção de pleitear adesão à ONU.

Não ficou claro, no entanto, se isso envolveria o pedido de adesão plena, que teria de passar pelo Conselho de Segurança -- onde existe ameaça de veto dos EUA --, ou se os palestinos solicitariam o reconhecimento como "Estado não-membro", para o que bastaria a maioria simples na Assembleia Geral, onde nenhum país tem poder de veto.

"Cabe ao presidente Abbas decidir, estamos aguardando sua opinião", disse Elaraby.

(Reportagem adicional de Ahmed Tolba e Ayman Samir)

Mais conteúdo sobre:
SIRIALIGAARABE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.