Stephanie McGehee/Reuters
Stephanie McGehee/Reuters

Países concordam em doar mais de US$1,5 bi em ajuda para sírios, diz ONU

Ban Ki-moon adverte que o conflito sírio acarretou uma crise humanitária catastrófica

Reuters

30 de janeiro de 2013 | 16h59

KUWEIT - Países doadores prometeram mais de US$ 1,5 bilhão em ajuda para sírios assolados pela guerra civil, disse nesta quarta-feira, 30, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, depois de advertir que o conflito tinha acarretado uma crise humanitária catastrófica.

Em uma mensagem incisiva para o líder da Síria, Ban disse em uma conferência de levantamento de fundos que o presidente sírio, Bashar Assad, tinha a responsabilidade primordial de parar o sofrimento de seu país depois de quase dois anos de conflito que já custou cerca de 60 mil vidas.

"Todos os dias os sírios enfrentam horrores implacáveis", disse Ban na reunião no Kuweit, acrescentando que incluíam violência sexual e assassinatos arbitrários. Sessenta e cinco pessoas foram executadas em Alepo na terça-feira, disseram ativistas da oposição.

"Não podemos continuar assim. Ele deveria ouvir as vozes e gritos de tantas pessoas", disse Ban. "Faço um apelo a todos os lados e, principalmente, ao governo sírio para acabar com a matança...em nome da humanidade, parem a matança, parem a violência."

Ban disse que a conferência de um dia tinha excedido a meta de US$ 1,5 bilhão em garantias. Cerca de US$ 1 bilhão está destinado para bairros da Síria que abrigam refugiados e US$ 500 milhões para ajuda humanitária aos sírios desalojados dentro do país.

Os US$ 500 milhões seriam canalizados através de agências parceiras da Organização das Nações Unidas (ONU) na Síria e a promessa total de ajuda iria cobrir os próximos seis meses, disse Ban.

Mas na capital síria Damasco o baque da artilharia afogava qualquer otimismo nas ruas. Questionados sobre as promessas de ajuda, os moradores da capital mostravam desinteresse ou desespero. "Para onde o dinheiro vai? Como alguém sabe para onde ele vai? Tudo parece conversa", disse Faten, uma avó de uma família de classe média na capital.

Outra moradora de classe média, uma mulher com cerca de 70 anos que pediu para não ser identificada, disse que o dinheiro não chegaria aos sírios. "Amanhã todo esse dinheiro será roubado. (Os mediadores) roubam tudo. Se pudessem roubar as almas das pessoas, eles roubariam. Eu não contaria com esse dinheiro", ela disse.

Os Estados ricos em petróleo do Golfo árabe Kuweit, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos prometeram, cada um, US$ 300 milhões. Seus 60 participantes incluíram Líbano, Jordânia, Irã, Tunísia, Estados Unidos, Canadá, Rússia, China, Japão, Coreia do Sul, Turquia e vários países europeus.

Mas grupos humanitários dizem que converter promessas em dinheiro vivo pode levar muito tempo e um deles disse na terça-feira que a ajuda que chegava agora à Síria não estava sendo distribuída de maneira justa, com praticamente tudo indo para áreas controladas pelo governo.

Ban afirmou que ainda havia muito mais a se fazer para lidar com a emergência humanitária na Síria. "A situação na Síria é catastrófica e piora a cada dia."

Quatro milhões de sírios dentro do país precisam de comida, abrigo e outro tipo de ajuda no meio de um inverno duro e mais de 700 mil tiveram que fugir para países vizinhos.

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