Países do Cáspio se recusam servir de base para ataque ao Irã

Durante cúpula, presidente russo consegue acordo para evitar que EUA usem vizinhos de Teerã para ação militar

Reuters,

16 de outubro de 2007 | 11h36

Reunidos em Teerã, os líderes dos países banhados pelo mar Cáspio, na Ásia Central, declararam nesta terça-feira, 16, que não permitirão o uso de seus territórios como base para ataques contra nenhum deles, em uma aparente reação às especulações de que os Estados Unidos poderiam recorrer à força contra o programa nuclear iraniano e usar quartéis na região para a ofensiva.   Veja também:  Putin chega ao Irã para negociar programa nuclear  Ahmadinejad propõe bloco econômico entre países do Cáspio   Antes, o presidente russo, Vladimir Putin, pediu em discurso aos países da região que não permitissem que terceiros utilizassem seus territórios para um ataque, um comentário aparentemente destinado à ex-república soviética do Azerbaijão.   Os militares dos EUA recentemente inspecionaram pistas de pouso no Azerbaijão, que tem um acordo de parceria com a Otan. A imprensa russa especulou que os norte-americanos podem planejar o uso das instalações em um possível ataque ao Irã.   As autoridades azeris negam o plano, e Washington diz que prioriza a diplomacia para resolver a crise nuclear com o Irã. Teerã, por sua vez, insiste no caráter exclusivamente pacífico de seu programa atômico.   Irã, Rússia, Cazaquistão, Azerbaijão e Turcomenistão disseram que "sob nenhuma circunstância vão autorizar (o uso de seus) territórios por terceiros para lançar agressões ou outras ações militares contra qualquer dos Estados membros".   Em sua declaração final, eles reconheceram também o direito de todos os signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (o que inclui o Irã) a desenvolver a energia nuclear com fins pacíficos.   O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, elogiou a declaração dos países cáspios, que qualificou como "muito forte".   Impasse nuclear   A presença de Putin, primeiro líder do Kremlin a visitar o Irã desde 1943, foi observada com atenção devido à potencial influência de Moscou sobre a República Islâmica - o que significa que a Rússia poderia controlar o governo iraniano usando nas negociações o comércio e o fornecimento de material nuclear.   "Não devemos nem pensar em fazer uso da força nesta região", disse Putin na cúpula. Ele chegou a Teerã após desprezar um relatório russo indicando que haveria um plano para matá-lo durante a viagem. Autoridades russas haviam dito que ele poderia alterar seus planos, e o Irã desmentiu a ameaça.   Putin deve manter conversas com Ahmadinejad, e segundo autoridades russas vai tratar do programa nuclear iraniano. Moscou diz que não há um caráter militar no programa atômico e resiste à pressão do Ocidente por novas sanções a Teerã. O presidente russo também deve se encontrar com o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei.

Tudo o que sabemos sobre:
IrãRússiaPutin

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.