Países do Golfo Pérsico devem pressionar o Irã, diz Gates

Secretário de Defesa dos EUA ironiza a reação iraniana a relatório de inteligência sobre o país

Associated Press,

08 de dezembro de 2007 | 09h02

As nações da região do Golfo Pérsico têm de exigir que o Irã confesse suas ambições nucleares do passado e prometa não desenvolver armas atômicas no futuro, disse o secretário de defesa dos EUA, Robert Gates.   Em um apelo por um amplo esforço diplomático, Gates pediu que os líderes do Golfo se unam para forçar o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio e para auxiliar o frágil governo iraquiano.   "para onde quer que se olhe, é a política do Irã fomentar instabilidade e caos, independentemente do valor estratégico ou do preço em vidas - sejam cristãs, judias e muçulmanas", disse Gates, no discurso de abertura de uma conferência internacional.   "Há pouca dúvida de que  políticas externas desestabilizadoras são uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos, aos interesses de todos os países do Oriente Médio e aos interesses de todos os países dentro do alcance dos mísseis balísticos que o Irã vem desenvolvendo", prosseguiu ele.   E, em um momento de sarcasmo, ele pediu que o Irã reconhecesse seu mau comportamento - que iria de armar terroristas no Iraque ao apoio a grupos extremistas como Hezbollah e Hamas.   Alguns membros da audiência questionaram a visão expressa por Gates quanto ao Irã, evidenciando a divisão do mundo árabe quanto à linha dura de Washington em relação a Teerã. Perguntado se os EUA estariam dispostos a dialogar com o Irã, Gates disse que o comportamento da atual liderança iraniana "não inspira confiança de que o diálogo seria produtivo".   Destacando o modo entusiástico com que o Irã acolheu a recente estimativa de inteligência dos EUA, que concluiu que o país deixou de buscar o desenvolvimento de armas atômicas em 2003, Gates fez a platéia rir ao sugerir que Teerã deveria também aceitar a veracidade de todos os outros relatórios americanos sobre o país.    "De fato, não se pode destacar apenas os trechos que interessam da Estimativa Nacional de Inteligência", disse Gates. "Já que aquele governo agora reconhece a qualidade das avaliações de inteligência americanas, suponho que também acatará como válidas as avaliações sobre seu financiamento e treinamento de milícias terroristas".   Embora Gates tenha usado o relatório para desfechar um ataque retórico ao Irã, a avaliação causou danos políticos ao presidente George W. Bush, que em outubro havia dito que as pessoas "interessadas em evitar a 3ª Guerra Mundial" deveriam trabalhar para impedir que o Irã adquirisse tecnologia para a criação de armas atômicas.

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