Palestinas e soldados israelenses se enfrentam em Jerusalém

Manifestações ocorreram em protesto ao fechamento do território ocupado decretado por Israel

Associated Press,

13 de março de 2010 | 15h35

Palestinas tentam furar bloqueio de soldados israelenses. Foto: Majdi Mohammed/AP

 

JERUSALÉM - Dezenas de mulheres palestinas entraram em conflito com tropas israelenses nos arredores de Jerusalém neste sábado, 13. Os enfrentamentos ocorreram em Qalandiya, região que separa as áreas palestina e árabe da cidade.

 

As mulheres gritavam "Jerusalém é árabe, nossa eterna capital" e tentaram furar o bloqueio imposto pelos soldados israelenses. Os militares usaram gás lacrimogêneo para dispersar as manifestantes. Um carro do Exército foi atingido por uma bomba incendiária, mas o fogo foi rapidamente controlado pelas tropas.

 

As mulheres se retiraram aos poucos, mas jovem palestinos entraram no confronto com os soldados e atiraram pedras. Segundo os militares, quatro manifestantes foram detidos, mas ninguém ficou ferido.

 

Na sexta-feira, Israel decretou o fechamento do território ocupado por pelo menos dois dias para prevenir protestos. A medida começou por volta da meia-noite da sexta-feira pelo horário local (19 horas em Brasília), e segue até a meia-noite do próximo domingo "de acordo com a avaliação de segurança", indica uma nota das Forças de Defesa de Israel. Na ocasião, houve enfrentamentos e quatro palestinos foram detidos.

 

O fechamento da Cisjordânia, que não só impede a passagem dos palestinos ao território israelense, mas também ao território palestino ocupado, como é o caso de Jerusalém Oriental, são frequentes durante as festividades oficiais do Estado judeu, mas há anos não eram decretados fora dessas datas.

 

Na sexta-feira passada, 80 pessoas, entre elas cerca de 20 policiais, sofreram ferimentos leves nos choques que aconteceram no lugar sagrado, situado na velha cidadela amuralhada de Jerusalém.

 

As tensões entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) também tem ocupado espaço no campo diplomático. Nesta semana, o Estado judeu anunciou que construirá mais 1.600 casas no território ocupado durante e Guerra dos Seis Dias de 1967.

 

O anúncio ocorreu durante a visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, à região. O americano tenta fazer com que palestinos e israelenses retomem o diálogo de paz, paralisado há 15 meses, mas a decisão do governo israelense, criticada por toda a comunidade internacional, pode minar as negociações.

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