Bashar Talib / Reuters
Bashar Talib / Reuters

Palestinos aceitam cessar-fogo em Gaza após mediação do Egito, dizem fontes

Israel não confirmou oficialmente a trégua, mas anunciou o levantamento de todas as restrições impostas às populações civis vizinhas de Gaza; apesar da medida, Netanyahu disse que campanha não terminou

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2019 | 02h42
Atualizado 06 de maio de 2019 | 08h06

GAZA - Os palestinos aceitaram na madrugada desta segunda-feira, 6, um cessar-fogo na Faixa de Gaza que entrou em vigor antes do amanhecer, informaram três autoridades palestinas e uma egípcia, sob condição de anonimato. A medida foi anunciada após a pior escalada de violência com Israel em anos, mas sem solução de longo prazo para o conflito.

Israel não confirmou oficialmente a trégua, mas após dois dias de uma escalada que matou 23 palestinos e 4 israelenses, os disparos de foguete a partir do enclave palestino e as represálias israelenses pararam efetivamente na hora do cessar-fogo, segundo um jornalista da Agência France-Presse em Gaza.

Em um sinal de apaziguamento, o Exército israelense anunciou o levantamento de todas as restrições impostas às populações civis vizinhas de Gaza. 

O primeiro-ministro e titular de Defesa de Israel, Binyamin Netanyahu, disse nesta segunda que a campanha sobre Gaza não terminou, apesar da trégua. "Nos últimos dois dias combatemos o Hamas e a Jihad Islâmica com contundente força, atacamos mais de 350 alvos, seus líderes e agentes terroristas e destruímos edifícios terroristas", disse ele.

O Egito, tradicional mediador do conflito, preparou um acordo para cessar as hostilidades a partir das 4h30 (22h30 de domingo em Brasília), informou um membro do movimento islamista Hamas no poder em Gaza e um outro responsável da Jihad Islâmica, segunda força no enclave. Uma autoridade egípcia confirmou a conclusão de um acordo.

Parte da oposição israelense criticou o que considera um novo cessar-fogo com o Hamas e um avanço no acordo de entendimento, mas Netanyahu disse nesta manhã que "a campanha requer paciência e sagacidade". "Estamos preparados para continuar. O objetivo foi e continua sendo garantir a paz e a segurança dos residentes do sul", afirmou ele em um comunicado.

O enclave palestino e as cidades israelenses vizinhas foram palcos nos últimos dois dias da mais severa escalada de violência desde a guerra de Gaza de 2014.

O acordo alcançado durante a noite, como os precedentes concluídos após episódios de violência, visa uma flexibilização no bloqueio imposto por Israel à Gaza, segundo o membro da Jihad Islâmica.

Ele prevê medidas que incluem a extensão das zonas de pesca para os palestinos no Mediterrâneo, bem como melhorias no fornecimento de eletricidade e combustível, preocupações primordiais no enclave onde vivem dois milhões de habitantes.

Cerca de 690 foguetes foram disparados desde sábado a partir de Gaza. Destes, mais de 500 atingiram o território israelense, incluindo 35 em áreas urbanas, segundo o Exército israelense. / AFP e EFE

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