Palestinos detêm colonos israelenses acusados de prejudicar suas lavouras

Moradores de um vilarejo palestino prenderam por um breve período e espancaram nesta terça-feira um grupo de colonos israelenses que acusam de ter atirado pedras contra agricultores que cuidavam de suas terras na Cisjordânia ocupada.

ABED QUSINI, Reuters

07 de janeiro de 2014 | 19h32

O incidente, cujos detalhes foram contestados por um representante de um assentamento israelense situado nas imediações, elevou a tensão há tempos em ebulição em terras onde os palestinos querem fundar seu Estado, com base em negociações para um acordo de paz com Israel que vêm sendo mediadas pelos Estados Unidos.

Como vários colonos acusados de ataques estão sob custódia da polícia israelense, depois de terem sido removidos do vilarejo de Qusra pelo Exército de Israel, e como não houve nenhuma consequência de imediato para os palestinos envolvidos, o incidente pode indicar uma nova posição de firmeza do Estado judeu no modo de lidar com ultranacionalistas israelenses violentos.

Os israelenses presos, que pareciam ter entre 15 e 30 anos, foram mantidos em uma casa desabitada perto de Qusra, depois de os palestinos afirmarem que eles haviam causado danos a terras agrícolas locais.

"Eu estava cuidando dos meus campos quando um grupo de cerca de 30 colonos desceu a colina e nos atacou com pedras", disse o agricultor palestino Mahmoud Tubasi à Reuters.

"Nós os perseguimos e eles fugiram para uma casa em construção. Ficaram encurralados lá e algumas pessoas daqui bateram neles - eles tinham nos atacado na nossa terra."

Uma testemunha da Reuters disse que os moradores do vilarejo bateram em 15 colonos com os punhos e paus. Alguns sangravam na cabeça e na boca. Depois, os palestinos entregaram o grupo a soldados israelenses.

O Exército afirmou ter recolhido 11 israelenses que tomaram parte no confronto com pedras com palestinos, desencadeado por uma remoção feita pela polícia israelense de edificações não autorizadas no assentamento vizinho de Esh Kodesh.

Alguns colonos ultranacionalistas têm reagido aos esforços do governo israelense de controlá-los por meio de ataques chamados de "etiqueta de preço" contra propriedades palestinas. O vandalismo e o assédio têm por objetivo envolver as autoridades na luta sectária.

Sete dos israelenses retirados de Qusra foram interrogados pela polícia e poderão ser indiciados por crimes, disse o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld. Três deles precisaram de tratamento médico. Outros três foram presos por atirar pedras contra carros de palestinos nas imediações, disse Rosenfeld.

(Reportagem de Abed Qusini, em Qusra; e de Noah Browning, em Ramallah)

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