Palestinos detonam cerca e entram no Egito

A queda do "muro de Rafah" é um novo desafio à pressão de Israel sobre a Faixa de Gaza

NIDAL AL MUGHRABI, REUTERS

23 de janeiro de 2008 | 10h52

Dezenas de milhares de palestinos entraram na quarta-feira no Egito, provenientes da Faixa de Gaza através de uma cerca fronteiriça destruída por militantes, na tentativa de contornar a escassez de alimentos e combustível provocada por um bloqueio israelense. "Essa gente está com fome de liberdade, de comida, de tudo", disse uma comerciante egípcia que se identificou apenas como Hamida, satisfeita depois de ver suas prateleiras serem esvaziadas por clientes palestinos que pagavam com libras egípcias e shekelim israelenses. Moradores de Rafah, cidade que fica na fronteira entre Gaza e Egito, disseram que os militantes realizaram explosões durante a madrugada para derrubar cerca de 200 metros da estrutura metálica de seis metros de altura, erguido por Israel em 2004 e hoje enferrujada. A queda do "muro de Rafah" é um novo desafio à pressão de Israel sobre a Faixa de Gaza, muito criticada pela comunidade internacional devido às dificuldades que cria para a população civil.  Resposta a bombardeio  Na semana passada, Israel fechou sua fronteira com a Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, cortando suprimento de combustível para a principal usina de energia do território e para postos de gasolina, além de ter barrado entrega de ajuda à região, que inclui alimentos e outros suprimentos humanitários. O país disse que fez isso para impedir o lançamento de foguetes por militantes contra o sul de seu território.  Um posto fronteiriço em Rafah, que já foi o principal acesso de Gaza ao restante do mundo, está praticamente desativado desde junho, quando o grupo islâmico Hamas expulsou do território as forças da facção laica Fatah, desencadeando retaliações israelenses. O Egito enviou tropas de choque à fronteira, mas os soldados apenas observaram, deixando os palestinos entrarem, segundo testemunhas. Na véspera, eles haviam obrigado invasores da fronteira a recuarem. No Cairo, o presidente Hosni Mubarak disse ter ordenado às forças de segurança: "Deixem eles entrar e comer e comprar comida." Depois disso, afirmou Mubarak, eles podem retornar "desde que não estejam armados". "Comprei tudo o que preciso para a casa durante meses. Comprei comida, cigarros e até dois galões de diesel para o meu carro", disse Mohammed Saeed, que empurrava as compras num carrinho. A maré humana na parte egípcia de Rafah -- alguns em carroças puxadas por burros ou carregando malas para acomodar as compras -- também obrigou Israel a buscar um delicado equilíbrio diplomático com o Egito, primeiro país árabe com o qual o Estado judeu fez a paz, em 1979. "Esperamos que os egípcios resolvam o problema", disse Arye Mekel, porta-voz da chancelaria, sem fazer críticas ao Cairo. As recentes críticas israelenses à suposta falta de fiscalização contra o tráfico de armas na fronteira entre Egito e Faixa de Gaza, através de túneis escavados sob Rafah, provocou uma reação indignada do governo egípcio, que apóia o processo de paz entre palestinos e israelenses, promovido pelos EUA. Israel retomou na terça-feira o fornecimento de combustível à principal usina elétrica de Gaza, dando um alívio temporário ao bloqueio que havia deixado grande parte do território às escuras. (Reportagem adicional de Yusri Mohamed em Ismailia e Mohammed Yusuf em Rafah)

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