Palestinos dizem que está na hora de o mundo reconhecer seu Estado

Reconhecimento seria única saída para que diálogo de paz não fracasse, diz negociador

Reuters

09 de novembro de 2010 | 12h13

JERUSALÉM - O plano israelense de construir novas casas em em áreas predominantemente árabes de Jerusalém pode ser rebatido pelo reconhecimento internacional de um Estado da Palestina, disse nesta terça-feira, 9, o principal negociador palestino no processo de paz, Saeb Erekat.

 

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Aumentando o risco de um impasse sobre as negociações de paz, Erekat disse que o mais recente anúncio de Israel deixava claro que o Estado judeu quer construir assentamentos, não a paz. "O unilateralismo israelense é um pedido para o reconhecimento internacional imediato do Estado da Palestina", afirmou.

O reconhecimento internacional do Estado palestino é o principal objetivo do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Ele tem colocado em pauta a possibilidade de "ir à Organização das Nações Unidas (ONU)" para declarar o reconhecimento do Estado como única opção para que as negociações de paz não sejam destruídas, mas apenas depois de conseguir o apoio dos EUA.

Na segunda-feira, Israel anunciou planos para construir 1.300 novas casas em um território ocupado perto de Jerusalém e, nesta terça-feira, informações da imprensa mostraram que mais 800 unidades podem ser erguidas no grande assentamento de Ariel, no norte da Cisjordânia.

Os planos de construção foram divulgados no momento em que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, estava nos EUA para discutir uma forma de ressuscitar as negociações de paz no Oriente Médio, que foram paralisadas devido ao polêmico tema dos assentamentos.

Os EUA disseram que estavam "profundamente decepcionados" pelas notícias das novas construções, que são "contraproducentes aos nossos esforços para retomar negociações diretas entre as partes", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deve abordar a questão em um encontro com Netanyahu, em Nova York, na quinta-feira.

A chefe da política externa da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou que o plano "contradiz os esforços da comunidade internacional para a retomada de negociações diretas, e a decisão deve ser revertida." "Assentamentos são ilegais sob leis internacionais, constituem um obstáculo para a paz e ameaçam tornar impossível uma solução de dois Estados", acrescentou 

As negociações de paz diretas entre Israel e os palestinos foram interrompidas em setembro, quase no mesmo momento em que começaram, depois que Netanyahu rejeitou exigências palestinas de estender uma paralisação parcial na construção de assentamentos na Cisjordânia.

Ciente de que o anúncio dos assentamentos foi feito enquanto o premiê israelense estava nos EUA, Crowley disse: "Pode muito bem ter sido que alguém em Israel tenha tornado isso público para envergonhar o primeiro-ministro e minar o processo".

Os EUA ficaram indignados em março, quando planos para a construção de mais assentamentos foram anunciados enquanto o vice-presidente do país, Joe Biden, estava visitando Jerusalém.

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