Palestinos dizem que negociações de paz não serão retomadas logo

As negociações de paz entre palestinos e israelenses não devem ser retomadas no futuro próximo, disse o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, na segunda-feira, culpando Israel pelo impasse e instando Washington a fazer o mesmo.

MOHAMMED ASSADI, REUTERS

26 de outubro de 2009 | 11h07

"A lacuna ainda é grande demais e Israel não dá um único sinal de que vai cumprir suas obrigações sob o mapa do caminho, suspendendo as atividades de assentamentos e retomando as negociações onde pararam", disse ele à rádio Voz da Palestina.

"Eu não vejo qualquer possibilidade de retomar as negociações de paz no futuro próximo", acrescentou, em uma avaliação repetida por autoridades do governo israelense.

O "mapa do caminho", um plano de paz proposto pelos EUA em 2003 que esboça um caminho para a criação de um Estado palestino, manda Israel suspender a atividade de assentamentos na Cisjordânia ocupada.

"Se o governo do presidente (Barack) Obama não consegue fazer Israel cumprir suas obrigações, ele deve anunciar que Israel é a parte que está obstruindo as negociações de paz", disse Erekat.

Resistindo à pressão norte-americana, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, descartou uma suspensão completa da construção em assentamentos, dizendo que a necessidade de crescimento das famílias dos colonos deve ser acomodada.

Israel também acusa os palestinos de descumprir suas obrigações segundo o mapa da estrada, que são reduzir a violência e o incitamento contra Israel, principalmente pelos islâmicos do Hamas que controlam a Faixa de Gaza.

Autoridades do governo israelense, falando sob condição de anonimato, disseram que as negociações com os palestinos não devem acontecer nos próximos meses.

Eles expressaram dúvidas de que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, possa mostrar flexibilidade com Israel antes das eleições palestinas marcadas para janeiro, às quais o Hamas se opõe. Netanyahu pediu a Abbas que retome as negociações imediatamente, sem precondições.

(Reportagem adicional de Ali Sawafta em Ramallah)

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