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Palestinos e forças de Israel entram em conflito no Dia da Terra

Em anos anteriores, a data transcorreu de forma geralmente pacífica

Reuters, REUTERS

30 Março 2012 | 09h49

JERUSALÉM - As forças israelenses de segurança usaram balas de borracha, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para dissolver grupos de palestinos que atiravam pedras durante uma manifestação do Dia da Terra, nesta sexta-feira, 30, celebrado anualmente.

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Fontes hospitalares na Faixa de Gaza disseram que os israelenses também usaram munição real para impedir que manifestantes se aproximassem do muro fronteiriço e que um homem ficou gravemente ferido.

Os ativistas palestinos haviam convocado uma "Marcha Global a Jerusalém" para marcar o dia em que os árabes de Israel protestam contra políticas governamentais que, segundo eles, lhes privaram das suas terras.

As forças israelenses foram colocadas em alerta elevado nas fronteiras com o Líbano e a Síria, mas não há relatos de que alguém teria se aproximado da cerca fronteiriça, ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando vários manifestantes foram mortos em protestos separados.

Mas houve violência em postos de controle da Cisjordânia ocupada, ao norte e ao sul de Jerusalém. Testemunhas também relataram distúrbios nos portões que levam à Cidade Velha, e a polícia limitou o acesso dos muçulmanos à reverenciada mesquita de al-Aqsa.

Um repórter da Reuters viu dois homens, feridos, sendo retirados após confrontos na Porta dos Leões, e a polícia disse ter detido cinco pessoas na Porta de Damasco.

Jerusalém é um foco de conflitos porque os palestinos reivindicam sua parte oriental, capturada em 1967 por Israel, como capital do seu eventual Estado. Israel diz que Jerusalém é indivisível.

"Estamos determinados a marchar rumo a Jerusalém, e tomara que rompamos (o cerco) e cheguemos lá", disse um jovem mascarado, chamado Rimawi, diante dos soldados israelenses em Ramallah, cidade da Cisjordânia a curta distância de Jerusalém.

Agitando bandeiras, uma multidão se aproximou do posto fronteiriço de Qalandiya, nos arredores de Ramallah, e alguns deles atiraram pedras nas forças de segurança, mas tiveram de recuar quando a polícia usou jatos de água para espalhar um líquido com cheiro ruim.

Houve confrontos também em Belém, onde os palestinos atiraram bombas caseiras numa torre de observação israelense.

O Dia da Terra evoca a morte pelas forças israelenses de seis árabes em 1976, durante protestos contra planos do governo para confiscar terras na região da Galileia, no norte de Israel.

Em anos anteriores, a data transcorreu de forma geralmente pacífica, mas neste ano Israel decidiu reforçar suas defesas depois de letais confrontos nas fronteiras com Líbano e Síria, que aparentemente apanharam os militares locais de surpresa.

Os organizadores palestinos haviam convocado manifestações pacíficas contra "as políticas e práticas do racista Estado sionista", e protestos de solidariedade estão programados em cerca de 80 países.

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