Palestinos e israelenses desacreditam conversas de paz

Pesquisa mostra que dois terços de cada grupo dizem que chance de criação da Palestina em 5 anos é pequena

Agência Estado e Associated Press,

25 de março de 2008 | 14h11

Uma pesquisa publicada nesta terça-feira, 25, mostra que poucos israelenses e palestinos apóiam as conversas de paz entre os dois lados. Segundo o levantamento, 53% dos israelenses consultados acreditam que as conversas de paz devem ser interrompidas. Nos dois lados, mais de dois terços acreditam que a chance de se criar um Estado palestino nos próximos cinco anos são pequenas. A sondagem foi realizado por dois centros de estudos, um israelense e um palestino. Somente 39% dos israelense vêem as negociações com bons olhos. Entre os palestinos, a oposição é ainda maior: 75% de rejeição e apenas 21% de apoio ao diálogo de paz. A pesquisa também mostra que 84% dos palestinos apóiam o ataque a tiros realizado por um palestino contra um seminário rabínico em Jerusalém em 6 de março. Foram mortos no incidente oito jovens religiosos. Os pesquisadores entrevistaram 1.270 palestinos e 597 israelenses. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos entre os palestinos e de quatro pontos entre os israelenses. Reforço O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que permitiria em breve que 600 policiais palestinos treinados no exterior tomassem posições na instável cidade de Jenin, na Cisjordânia. A medida pretende auxiliar o governo palestino moderado a restaurar a ordem na área. Segundo funcionários palestinos, porém, a cidade de Jenin não precisa de reforço na segurança. Segundo eles, Israel não está fazendo o suficiente para apoiar o moderado presidente palestino, Mahmoud Abbas, em sua disputa contra o grupo islâmico Hamas. Os funcionários pedem que Israel remova bloqueios em estradas, acabe com extensões ilegais de assentamentos judaicos na Cisjordânia e liberte prisioneiros. O anúncio de Barak ocorre em um momento difícil das negociações de paz. As atuais conversas, apoiadas pelos Estados Unidos, tiveram pouco progresso efetivo desde seu lançamento, em novembro. Na próxima semana, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, deve fazer uma visita à região para checar a situação. Em Jenin, cidade localizada no extremo norte da Cisjordânia, freqüentemente há confrontos entre soldados israelenses e militantes palestinos. Forças israelenses rotineiramente entram em cidades da Cisjordânia. Isso gera protestos dos palestinos, por minar os esforços do governo para restaurar o controle da área. Energia Milhares de palestinos estão recebendo energia vinda das linhas de transmissão israelenses. O programa, uma iniciativa de Israel e da França, beneficia 15 mil palestinos, em 27 vilarejos no norte da Cisjordânia, perto de Jenin. A cerimônia de abertura da nova conexão ocorreu nesta terça-feira. Até então, os beneficiados dependiam de seus próprios geradores para produzir energia. O projeto inclui o gerenciamento de reservatório de água, em uma ação em que o custo da água cai até 33%. A França concedeu mais de 11 milhões de euros para a iniciativa. A longo prazo, o governo palestino afirma querer cortar os laços no setor de energia com Israel, como um passo em direção à independência.

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