Palestinos enfrentam crise de combustível em Gaza

Os palestinos da Faixa de Gaza estão enfrentando uma crise de abastecimento de combustível, com falta de gasolina nos postos e apagões frequentes provocados por uma disputa entre o Egito e o Hamas.

NIDAL AL-MUGHRABI, REUTERS

22 Março 2012 | 16h32

Os táxis são uma raridade e os passageiros brigam pelas corridas. O governo determinou que os funcionários públicos que tenham carros deem carona nas ruas.

O serviço médico de emergência de Gaza reduziu à metade o número de ambulâncias circulando pelas ruas. Ao menos um hospital cancelou as operações não essenciais a fim de economizar a energia do gerador.

"Nossos líderes estão brincando, enquanto somos fritos no fogo da pobreza e da divisão. Estamos de volta à Idade Média", disse o estudante universitário Abed Mohammed, de 21 anos.

No mês passado, o Egito começou a restringir o fluxo de combustível destinado a Gaza que utiliza uma rede de túneis de tráfico sob a fronteira. A única usina de Gaza ficou sem combustível para os seus geradores, provocando apagões que afetam quase dois terços da população do enclave de 1,7 milhão de habitantes.

O Egito prefere enviar combustível por meio da passagem de Kerem Shalom, controlada pelos israelenses, citando antigos acordos internacionais que limitaram o uso do terminal egípcio de Rafah com Gaza para o movimento de passageiros.

O Hamas se opõe. O governo da Faixa de Gaza não quer dar a seu inimigo, Israel, a oportunidade bloquear o abastecimento em épocas de tensão e quer o comércio direto com o Egito -em uma iniciativa que pode fortalecer a economia de Gaza e a popularidade do Hamas.

Mas a relação tempestuosa entre o Egito e os islâmicos que em 2007 tomaram o controle da Faixa de Gaza das mãos do movimento Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas, provocou a crise.

Algumas fontes do Hamas acusaram o Egito de provocar a falta de combustível a fim de pressionar o movimento a implementar um pacto de união com Abbas, que tem o apoio do Ocidente.

Mohammed Awad, vice-primeiro-ministro da Faixa de Gaza, disse que a crise tem motivação política e que o Hamas "vai superá-la".

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