Yousef Allan/Reuters/Divulgação
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Palestinos: fala de Netanyahu é 'obstáculo para a paz'

Para porta-voz palestino, discurso do premiê de Israel no Congresso americano é 'o pior de todos'

estadão.com.br

24 de maio de 2011 | 13h43

Atualizada às 17h19

 

RAMALLAH, CISJORDÂNIA - O posicionamento do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para encerrar o conflito com os palestinos colocou "mais obstáculos" no processo de paz no Oriente Médio, disse um porta-voz do presidente palestino Mahmud Abbas nesta terça-feira, 24.

 

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"O que veio no discurso do Netanyahu não vai conduzir à paz", disse à Reuters Nabil Abu Rdainah, porta-voz de Abbas, após o discurso de Netanyahu ao Congresso dos Estados Unidos, nesta terça-feira.

 

'Declaração de guerra'

 

Um negociador palestino chamou a fala de Netanyahu de "declaração de guerra". "É uma declaração de guerra, não de paz. Não foi oferecido nada", disse Nabil Shaath. Para ele, o premiê de Israel quer "impor a rendição" e "apagar Jerusalém do sonho palestino".

 

"Netanyahu não ofereceu nada. Onde estão suas concessões? Não há nenhuma!", disse Shaath, segundo a Efe.

 

'O discurso do não'

 

A Autoridade Palestina (AP) recebeu com incredulidade, desconfiança até um certo desespero as declarações do primeiro-ministro israelense, qualificando-as de seu "pior discurso até agora".

 

"Foi o pior de Netanyahu, mas não é ele quem precisa se culpar por suas palavras vazias, mas o Congresso dos Estados Unidos, que o recebeu com semelhante entusiasmo", disse à Efe o porta-voz do governo palestino, Ghassan Khatib.

 

Khatib afirmou ainda que este foi o "discurso do 'não', porque Netanyahu disse 'não' a tudo: aos refugiados, às fronteiras e à partilha de Jerusalém". "Essa é realmente a paz que tanto deseja?", questionou o porta-voz ao comentar as palavras do premiê, que afirmou que Israel seria "generoso" nas negociações.

 

Responsabilidade 'de Obama'

 

Netanyahu se disse disposto a fazer "compromissos dolorosos" para alcançar a paz com os palestinos, mas insistiu que não aceitará voltar às fronteiras de 1967, o que representa uma nova rejeição à colocação do presidente Barack Obama da quinta-feira passada. "Infelizmente, Netanyahu estragou qualquer oportunidade de tratar os assuntos cruciais do conflito de uma maneira lógica", declarou Khatib.

 

Para o porta-voz palestino, parte da responsabilidade é do presidente americano. "A paz que (Obama) descreveu (na quinta) é a mesma" da qual fala o primeiro-ministro israelense, segundo ele.

 

Recebido com constantes aplausos em pé pelos congressistas e senadores americanos, Netanyahu reiterou cada uma de suas colocações dos últimos meses sobre a fórmula que almeja para uma paz no Oriente Médio - e que não inclui uma paz definitiva, mas um processo gradual, um Estado palestino sem Jerusalém Oriental como capital, e um sonoro "não" ao retorno dos refugiados.

 

'Romper o pacto'

 

Ao final do discurso, o premiê pediu ao presidente palestino que "rompa seu pacto" por um governo de reconciliação com o movimento islâmico Hamas, e que em vez disso "faça as pazes com o Estado judeu". Em resposta, Khatib disse à Efe que "Netanyahu não entendeu ainda o que é o governo de reconciliação".

 

Segundo o porta-voz, "qualquer negociação de paz não será feita com o governo da AP, mas por meio da Organização para a Libertação da Palestina (OLP)".

 

No pronunciamento, o premiê israelense sugeriu ao partido de Abbas, o Fatah, romper com o Hamas. Os dois grupos, que haviam rompido depois da eleição do Hamas e da tomada pelo grupo islâmico da Faixa fe Gaza, firmaram recentemente um acordo. O Hamas não reconhece o Estado judeu.

 

Reunião

 

Não menos combativo se mostrou Saeb Erekat, chefe da equipe negociadora da OLP, que pediu para Netanyahu dizer de uma vez que "aceita as fronteiras de 1967". "Que o faça em russo, em latim, em inglês, em francês ou em hebraico, como queira!", disse Erekat.

 

Na quarta-feira a liderança palestina se reunirá em Ramallah para analisar a situação depois dos discursos de Obama e Netanyahu, e decidir seus próximos passos. A reunião foi convocada em caráter urgente após o pronunciamento de Obama, na semana passada. No discurso, o presidente americano manifestou sua oposição a uma iniciativa palestina unilateral na ONU e defendeu uma solução negociada com as fronteiras de 1967 como ponto crucial de negociação.

 

Pouco antes do discurso de Netanyahu, Erekat havia destacado que o que os palestinos pedirão em setembro às Nações Unidas é sua "aceitação" como membro pleno, e não o "reconhecimento" formal do Estado palestino, o que corresponde aos países de forma individual.

 

Com Efe e Reuters

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